Neo-aloprados | Fábio Campana

Neo-aloprados

Este artigo de Eliane Catanhêde, publicado na Folha de São Paulo, dá o quadro da política nacional nestes dias em que Lula atinge seu melhor índice de aprovação depois de 2002 e mesmo assim o PT não consegue fazer decolar nenhum de seus candidatos à sucessão.

Por que Serra, favorito nas pesquisas para a Presidência, e Aécio, que corre atrás do prejuízo, nunca batem de frente e nem mesmo criticam Lula, como fazem adversários em qualquer lugar do mundo? Porque têm quilos de pesquisas mostrando que seria burrice, murro em ponta de faca. Com toda sua popularidade e marketing, Lula é uma faca afiada.

Waldomiro Diniz, faz-tudo de Dirceu e Mercadante nas boas CPIs (contra os outros), foi filmado pedindo algum para bicheiro quando tinha gabinete no Planalto.

Dirceu enroscou-se todo no mensalão que comprava apoio dos “aliados” e caiu do governo, do mandato de senador e do sonho de ser presidenciável um dia. Palocci, que virou ídolo nacional ao seguir à risca a cartilha Malan de estabilidade, ficou desconfortável com as histórias da sua turma em Ribeirão Preto e confortável violando contas alheias. Foi varrido da Fazenda pelo caseiro Francenildo.

Mercadante ficou mal com o dossiê que não era dossiê, mas foi comprado por uma fortuna em dinheiro vivo para atacar tucanos em 2006. Lula chamou os culpados de “aloprados”. Mercadante sumiu do mapa do primeiro time político.

E o que aconteceu com Lula? Primeiro, ficou deprimido. Depois, irritado, xingou seus ministros, assessores, amigos e o churrasqueiro.
Nunca sabia de nada e livrou-se rapidinho de um a um. Reeleito, acaba de bater em 58% de aprovação na pesquisa CNI-Ibope e não pára de falar besteiras: ironiza o “meu velho Bush”, acusa PSDB e DEM de “destilarem ódio” e diz que a oposição “pode tirar o cavalinho da chuva”, porque sua sucessão está no papo.

Um dossiê ou um(a) aloprado(a) a mais ou a menos são fichinha, e Lula não está nem aí. Se, mesmo assim, Dilma Rousseff não resistir, não faz a menor diferença no governo. Saiu um, entra outro. O problema é sair Dilma e voltar a tese da re-reeleição em 2010. Duvida?


2 comentários

  1. jango
    segunda-feira, 31 de março de 2008 – 14:00 hs

    Reforma política (voto distrital e fidelidade partidária) e parlamentarismo, para acabar com o presidencialismo tupiniquim nefasto ao país e cheio de ganância imediatista dos demagogos de plantão tudo maquinando para herdar pelo voto analfabético a máquina pública e seu tesouro de cargos, verbas e benesses de toda espécie.

  2. Professor
    segunda-feira, 31 de março de 2008 – 20:03 hs

    Jango…sou seu fã!!!!!!!

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