A guerra continua | Fábio Campana

A guerra continua

O desmanche do PMDB não será pacífico. Os grupos internos conviveram em desconfortável harmonia para dividir a mamata oferecida por Requião no poder.

Agora, que o ciclo chega ao fim, cada qual procura o seu balé e salve-se quem puder. Por isso mesmo tem secretário arriscando o pescoço em disputa da presidência da Federação Paranaense de Futebol e irmão sem rumo doido pela vaga de conselheiro do Tribunal de Contas.

Quanto ao espólio do partido, é disputado por vários grupos que se alinham à direita e à esquerda e acabam protagonizando cenas como essa da briga entre os Stephanes e o time de Maurício Requião representado por Doático Santos.

Foi um horror, diz a assessora palaciana, indignada com o deputado Reinhold Stephanes Junior que chamou Doático Santos de vagabundo e ladrão no plenário da Assembléia. Respondia à nota em que o Doático chamou o ministro Reinhold Stephanes, pai do deputado, de filhote da ditadura, entre outras coisas mais duras e menos elegantes, como lembrar a aposentadoria precoce de Reinhold pai.

Tudo foi transmitido pela TV Sinal. Luiz Cláudio Romanelli, líder do governo, pediu para que o trecho fosse apagado das notas taquigráficas. Tudo bem, concedeu o presidente Nelson Justus.

Só não foi possível apagar o destampatório de Stephanes emitido pela TV Sinal e gravado por empresas. Doático Santos providenciou uma cópia em DVD para instruir o processo que move contra Stephanes filho por calúnia, difamação e danos morais.

Assim é a guerra e seus horrores, diria Aníbal Curi. Esta parece interminável. Quem não tem estômago que não se aproxime, o espetáculo se anuncia deprimente. Ainda mais depois que Requião sugeriu à Doático Santos que convença Stephanes de suas razões.


Um comentário

  1. Eleição e governo
    quinta-feira, 6 de março de 2008 – 9:58 hs

    Em meu pouco envolvimento político partidário vi de tudo, aliás, muito além do que o meu pobre estômago poderia agüentar nas disputas eleitorais e nas posteriores composições de governo.

    Entre os discursos de campanha, onde a telinha, os panfletos, as rádios e jornais de campanha aceitam de tudo e a realidade posterior existe um fosso maior que o Canyon de Quartela a separar a realidade dos factóides criados para ludibriar o eleitor.

    Todos mentem, pouco importando a coloração partidária!

    Nas propagandas de campanha, geralmente construídas pelos mesmos publicitários que no dia a dia nos vendem sabonetes, como se houvessem uma real diferença entre uma marca e outra, nos é imposta uma visagem de um “mundo novo”, aonde tudo vai ser justo, participativo e belo, mera ilusão, tal qual aquele sabonete que quando usamos nos dá coceiras.

    Os partidos no afã de chegarem ao poder fazem tudo quanto é tipo de negociata, aonde as “cotas” de participação no futuro botim são anteriormente divididas, pois sem dinheiro não existem as “maravilhosas campanhas” movidas a caixa-2, pois sem elas o eleitor, que sem discernimento, sempre incauto, “escolhe” o que considera o melhor, assim sendo ludibriado mais uma vez.

    Desta forma são instituídos os governos “democráticos”, verdadeiras “Arcas de Noé”, onde o cachorro é obrigado a conviver com gato e este com o rato como se fosse da mesma espécie, o que no fundo o são, pois apesar das aparências diversas, diferentes eles não o são em seus objetivos, pois se somam na volúpia de usurparem o que é a coisa pública, o erário.

    Todo fim de ciclo governamental é patético, pois os olhos dos “administradores”, do que deveria ser do povo, já estão voltados para a construção de um “novo ciclo de poder”, onde poderão continuar com as velhas práticas oligárquicas patrimonialista, onde sempre o que é publico é confundido com o privado.

    No fundo a única coisa concreta que resta são as belas peças publicitárias, cujos papéis grossos onde elas são impressas não servem nem para ao menos para o desorganizado e sempre iludido povo limpar o rabo.

    Quando se sentem “caluniados”, processam e esperneiam se dizendo “vítimas” de um complô, de uma conspiração, como se a mentira repetida muitas vezes não fosse a única verdade neste tiroteio sem fim!

    “’Viva o parlamento burguês”!

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