A farra do crédito farto vai acabar | Fábio Campana

A farra do crédito farto vai acabar

O presidente Lula tem dito que só há uma maneira de evitar a volta da inflação alta. Mais investimentos e menos crédito. Lideranças empresariais e sindicais torce3m o nariz. O presidente do IPEA diz que o tema é superado. Mas venceu, dentro do governo, o temor do descontrole da inflação.

Para evitar uma demanda superior à oferta de produtos, o que poderia provocar reajustes de preços, o governo trabalha em duas frentes: convencer grandes empresas a investirem na ampliação da capacidade de produção e reduzir a oferta de crédito, limitando o prazo dos financiamentos para no máximo 36 meses.

Hoje, há empréstimos de até 99 meses. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reunirá com bancos, siderúrgicas e indústrias para explicar o “freio de arrumação” proposto pelo governo. “Essa velocidade de crescimento da demanda não é saudável. Há hoje um descompasso entre produção e consumo. E o que queremos é equilibrar o jogo”, avisa o ministro.

Com as medidas de contenção do crédito, o Ministério da Fazenda avalia que será possível desacelerar o consumo e, assim, evitar uma elevação da taxa de juro, medida que já está sendo cogitada pelo Banco Central para ser adotada em abril. O BC está preocupado com os indícios de uma aceleração da inflação decorrente de pressões de demanda.


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