Poder de polícia | Fábio Campana

Poder de polícia

O jornalista não inventa. Não cria fatos. Publica-os, por dever de ofício. Pela necessidade de manter a população informada.

Nem sempre os poderosos gostam do que é publicado. E na incapacidade de mudar os fatos, ou de fazer valer a sua versão sobre eles, há aqueles que investem contra o jornalista.

Requião anunciou que vai me processar. Fez mais. Pediu a providência para a Procuradoria Geral do Estado e também para a Secretaria de Segurança, fazendo notar o seu poder de polícia.

Ora, pois, nestas plagas os poderosos acreditam que podem tudo. Tudo mesmo. E assim sendo, acato a orientação do advogado e vou representar contra o governador diretamente ao Ministro da Justiça e à Comissão de Direitos Humanos. Afinal, Requião não faz outra coisa que atentar contra a minha liberdade de informar.

Requião destemperou-se porque não gostou do que disse o senador paraguaio Juan Carlos Galaverna em entrevista à rádio Bandnews. Galaverna o acusou de intromissão na política interna do Paraguai e de outros ilícitos pesadíssimos, como contrabando de soja, lavagem de dinheiro e ilações com o narcotráfico em associação com o general Lino Oviedo.

Tudo o que fiz foi entrevistar o senador Galaverna, que é líder do governo no Senado paraguaio. Ora, pois, Requião declara apoio a um candidato presidencial, envia seu secretário de Comunicação, Airton Pisseti, ao Paraguai, que qualifica o governo paraguaio de corrupto e criminoso e não admite que o senador do país vizinho reaja e diga o que pensa e o que sabe sobre ele. É bem o seu estilo.

Agora, em vez de desmentir o senador Galaverna, quer atingir quem o entrevistou. Bem ao gosto dos tiranetes de extração ordinária nesta área do planeta. Requião muito se parece aos ditadores que acham que sempre estão com a razão porque tem por eles a polícia. É dessa razão que falam os muros?


4 comentários

  1. lineu
    sábado, 16 de fevereiro de 2008 – 9:06 hs

    Fabio
    O Requião ameaçou.
    O independente afinou.
    Ou foi o PT que comprou.
    Tem outro lugar que eu vou.
    Aqui meu saco estourou.
    hou…hou…hou….hou….

  2. Soatico Dantos
    sábado, 16 de fevereiro de 2008 – 19:30 hs

    Criticar, com propriedade e argumentos honestos, também fazem parte do jornalismo. Não pode ficar nesse marasmo de o que um disse e o que o outro lado disse. Se a verdade dói, paciência. Jornalismo é isso, “sangue na veia”. E tá dito….

  3. Shirley
    sábado, 16 de fevereiro de 2008 – 21:22 hs

    Fabio, veja parte do sua postagem acima :

    ” não admite que o senador do país vizinho reaja e diga o que “pensa e o que sabe” sobre ele. É bem o seu estilo.”

    O senador do País vizinho certamente, não pensa e nem sabe, essas coisas, sobre Requião, porque você sabe que essas coisas são mentiras,
    mas apesar de saber, voce foi conivente com elas, voce não contestou, não defendeu o Requião no ar,
    o que deveria ter feito, teria sido uma otima oportunidade de alcançar uma classificação de jornalista contundente, sério…

    O que mais me intriga:
    Quem convidou o senador para vir exatamente no seu programa?
    Olhe sinceramente, acho que isso não partiu de voce..
    Acho que foi ideia de alguem, assim, algum político paranaense…
    E voce entrou de laranja…

  4. Rodrigo
    domingo, 17 de fevereiro de 2008 – 1:54 hs

    Essas acusações não são pessoais contra o governador?
    Então o governador não pode usar a PGE para processar quem quer que seja em razão deste fato.
    Se o fizer estará usando a PGE para fins pessoais e, conseqüentemente, deve responder cível e criminalmente.
    Ele deve contratar um advogado particular para tomar essas medidas.

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