Postura de estadista? | Fábio Campana

Postura de estadista?

Em Miami, o Duce e sua troupe discutem a necessidade de alguém com postura de estadista para governar o Brasil. O homem é Requião, garantem Benedito Pires e Rafael Iatauro, o que lhes fez merecer o olhar embevecido do chefe. Os dois estão convencidos de que algumas correções de comportamento podem fazer de Requião a estrela máxima da esquerda brasileira.

O sonho é livre e em Miami chega ao delírio. Pois o grupo que muito faz lembrar a incrível armata brancaleone de Mário Monicelli curte a certeza de que Requião tem grandes chances de chegar á presidência na sucessão de Lula.

O resto do enredo é conhecido. Quanto mais Requião brigar com a imprensa, com o ministério público, com os juízes, com os deputados da oposição, com todas as instituições, mais tempo ficará na mídia no papel de defensor das grandes causas e da moralidade pública, pensam eles e não escondem sua estratégia.

Nessa toada, a turma que acompanha Requião nesse périplo caribenho gosta de usar a expressão postura de estadista, mas não está falando de Bismarck (o da Prússia, não o jogador de futebol), de De Gaulle, de Churchill ou de Fidel. Fala do próprio Requião e acreditam piamente que ele chega lá.

Na verdade, muitos nativos têm sido chamados de estadistas, como se esse tipo de político fosse comum por aqui. Temos, porém, as provas de que faltam estadistas e sobram pobres diabos e pilantras, sonhadores provincianos e raposas da politicagem, batedores de carteira e mafiosos, fanáticos do Apocalipse e senhores feudais.

É difícil achar, em 508 anos de história, alguém que apresente alguma vaga parecença com um estadista. Em compensação, nada indica que os assessores nativos sejam melhores que os seus contratantes.


6 comentários

  1. sábado, 2 de fevereiro de 2008 – 21:30 hs

    Oi Fabio
    Voce disse duas coisas interessantes.
    A primeira é
    “Que a estratégia dele de brigar é para ficar na mídia”
    Se voce acredita mesmo nisso, que tal todos fazerem as pazes com ele, e quando ele voltar, deixá-lo quieto, sem provocações, sem perseguições…Assim ele não tem com quem brigar e sai da mídia.

    A segunda é
    “Que estadistas não existe aos montões”
    É verdade, é uma coisa rara, mas Requião, queira você ou não, é um Estadista, talvez um dos últimos Estadistas brasileiros.

    Todo mundo sabe disso, todo mundo o vê assim, não vai ser a minha palavra ou a sua que vai mudar isto.
    Ele pode até ter defeitos, mas que é um grande Estadista, ah isto é….

    Nem Getúlio talvez tivesse os traços políticos tão nítidos de um Estadista como Requião o tem.
    Requião na Presidência não seria pior que Alkmin, nem pior que o Serra, nem pior que o Aécio, nem pior que o Color de novo, nem pior que a Heloisa Helena…
    Pense no orgulho que teremos de ter um Presidente Paranaense.
    No fundo você confia no Requião… Voce o conhece bem, sabe que ele é capaz.
    Voce sabe os sonhos, os projetos lindos que ele tem para o Brasil.
    Sabe que o Brasil precisa dessa figura na sua história, nesse momento histórico, só alguem como ele pode enfrentar a dureza desse Panorama Brasileiro.
    Ele representa nossos sonhos de uma virada, no Brasil, virada que todos esperavam do PT, mas que o Lula é calminho demais para fazer.

  2. jango
    sábado, 2 de fevereiro de 2008 – 22:29 hs

    Requião é uma facécia do estadista da terceira margem de que fala Eugenio Paggotti.
    É que sua “margem” é o Cangüiri, embora goste de balançar entre Cuba (ética dos princípios falidos) e Miami (ética dos resultados indesejáveis).

  3. Rosseau
    sábado, 2 de fevereiro de 2008 – 23:15 hs

    Vc está com inveja do nosso guia e condutor.
    Ele não é um estadista, mas um familiaristam
    dá emprego pra toda a familia.

  4. jango
    sábado, 2 de fevereiro de 2008 – 23:46 hs

    Rousseau:

    Odorico Paraguaçu diria “familiarista nepotismeiro juramentado”.

  5. João Antônio F. G.
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008 – 0:02 hs

    Todo mundo sabe que o Requião é um estadista? Acorda Shirley! Pesadelo também mata.

  6. segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008 – 10:27 hs

    Jango

    Para muitos provincianos, para aqueles que continuam vendo o Paraná como uma província de S. Paulo, que por “coincidência” também são os mesmos que olham nosso Pindorama como brasilianistas, aqui no PARANÁ e no BRASIL”nada presta”.

    Sofistas cretinos que ao estabelecerem o discurso não conseguem se enxergar como paranaenses ou brasileiros e olham para os nativos como olhassem a aldeia de fora para dentro, pois não se sentem parte.

    Perdidos em seus “francesismos de salão” não conseguem mais pensar o nosso Estado e o país de uma perspectiva local, tão envolvido que estão com o discurso globalizante neoliberal.

    Estes pseudos defensores do progresso “esquecem” que o centro é o coletivo em suas saídas pessoais para a crise que a todos nós atinge é coletiva, temos de ter um projeto.
    Não que eu acredite que o Requião seja um grande estadista, mas é um ou pelo menos tenta ser ao ver em primeiro lugar o que inclui e subordina os interesses globais aos nossos, pois ele vê o mundo pelo prisma da aldeia, que é o que nos interessa ao ser onde vivemos.

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