Aos fatos, sem paixões | Fábio Campana

Aos fatos, sem paixões

Hannah Arendt, num dos seus livros, insiste muito na importância da verdade dos fatos, a verdade factual, como contraveneno da mentira que alimenta o preconceito.

Acredito nisso e proponho aos viventes que se apeguem aos fatos para avaliar o episódio em que um senador do Paraguai lançou suspeições sobre o governador Requião e este se armou contra a rádio e o jornalista que fez a entrevista.

Para Requião, a questão que se põe é esta: se não houvesse entrevista, se não houvesse imprensa, se não houvesse o jornalista, nada aconteceria.

Para nós e para todos os que têm saúde mental, proponho deixar de lado as paixões e os preconceitos que ofuscam a inteligência e retornar aos fatos:

Eis os fatos

Os fatos são estes: um senador do Paraguai, líder do governo no Congresso, acusou o governador Roberto Requião de interferir na vida política interna do Paraguai em apoio direto ao candidato presidencial Fernando Lugo.

O mesmo senador paraguaio, Juan Carlos Galaverna, fez outras acusações ao governador Requião. Disse que há muito o governador têm negócios no Paraguai assim como o seu irmão.

Entre os negócios apontados pelo senador, alguns ilícitos, relacionados com o contrabando de soja, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

Antecedentes

O secretário de Comunicação do Estado do Paraná, Airton Pisseti, confirmou que participa da campanha do candidato Fernando Lugo a presidente da República do Paraguai. Assinalou que o faz com autorização do governador Roberto Requião.

O governador Roberto Requião, em pronunciamento oficial na Assembléia, na abertura dos trabalhos legislativos, quando fazia um balanço de seu governo, declarou seu apoio ao candidato Fernando Lugo, no Paraguai.

O secretário Airton Pisseti qualificou o governo paraguaio e o partido no poder, Colorado, de criminoso e corrupto em entrevistas para mesma rádio que ouviu o senador Juan Carlos Galaverna, do Partido Colorado.

A reação

Requião reagiu às declarações do senador sem responder às suas acusações. Passou ao esforço de desqualificar o proprietário da emissora e este jornalista, que entrevistou o senador.

Emitiu nota para anunciar que vai me processar por se sentir atingido pessoalmente pelas declarações do senador entrevistado.

Determinou que os processos, embora de caráter pessoal, fossem feitos pela Secretaria de Segurança, a polícia, e pela Procuradoria Geral do Estado, responsável pela advocacia do Estado.

Fez circular na imprensa oficiosa e periférica a versão de que o senador, embora líder do governo de seu país, não tem condições morais para acusá-lo.

Ponderações necessárias

O senador, qualquer que seja a avaliação que se faça sobre ele, não é uma figura qualquer. É líder do governo no Congresso de seu país. Sua opinião é relevante em qualquer situação.

O senador paraguaio diz de Requião exatamente as mesmas coisas que Requião diz sobre ele.

Não é de estranhar que haja reação do tipo à presença de um governante de país vizinho na disputa interna do poder no país.

Não sou obrigado a filtrar opiniões emitidas contra o governador Requião. Considero que todas as opiniões, denúncias, afirmações, feitas sobre ele por pessoas investidas da responsabilidade de um líder do governo no Senado de outro país, devem ser de conhecimento público.

Lamentável, apenas lamentável, embora esperada, a reação intimidada ou conivente de pessoas que exercem função pública e que se apressam a fazer o jogo da conciliação com o poderoso, procurando isentar Requião previamente de qualquer responsabilidade.


4 comentários

  1. Shirley
    domingo, 17 de fevereiro de 2008 – 13:59 hs

    Parece que a unica coisa estranha entre os dois fatos é:
    1-Que Requião nós sabemos, conhecemos e temos certeza de que não é corrupto, e o Paraguaio nós não conhecemos e sabemos que dentro do seu proprio País é chamado de ladrão.
    2- E o fato mais estranho é que a imprensa brasileira abriu espaço para o Paraguaio malhar nosso Governador, enquanto que a imprensa Paraguaia não abriria jamais espaço para os nossos políticos falarem mal dos seus próprios políticos….
    Isso caracteriza o povo despatriota que somos, pois perdemos até para o pior, para o menor, o menos culto, o mais pobre Pais da America, que é o Paraguai…

  2. Jose Carlos
    domingo, 17 de fevereiro de 2008 – 18:02 hs

    A verdade sempre será a verdade formal, aquela que se prova por meio dos procedimentos ou processo devidos ou legais… A verdade real é algo que somente os protagonistas dos fatos conhecem… portanto, a verdade real quase nunca se prova totalmente… entretanto, em se tratando de homens públicos, tem todos o ônus de provar: acusadores e acusados. Este é o preço que os homens públicos, que escolheram esta espécie de vida (?) livremente. Ninguém os chamou, iveram porque quiseram… Assim, mentira ou verdade, sempre formal, por óbvio, as acusações devem ser investigadas pelos órgãos comepetentes… É o que se espera numa democracia (?) e num estado de direito democrático… Se os homens públicos querem ficar protegidos, fora da berlinda, então, devem abrir um açougue, um restaurante, uma padaria, e ainda assim, esperar boa vontade dos clientes…

  3. Shirley
    domingo, 17 de fevereiro de 2008 – 22:18 hs

    jose carlos
    quer dizer que o açougueiro pode cometer crimes e ficar ilesos…
    voce é açougueiro ou padeiro ?

  4. ALBERTO VIANA
    segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008 – 17:45 hs

    ENQUANTO ISSO NO PARAGUAY:

    Oviedo lanzó duro ataque a Duarte Frutos y sus ministros

    | Capiibary, San Pedro.-Lino Oviedo, candidato a presidente de la república, criticó duramente al gobierno de Nicanor Duarte Frutos, y a los otros candidatos, durante su visita ayer en la plazoleta municipal de esta ciudad, donde lo recibió una multitud. Los ministros de Salud y de Agricultura también fueron blanco de los fustigamientos de Oviedo, por supuestas inacciones en el país. Calificó de violador de la Constitución al senador colorado Juan Carlos Galaverna.

    Lugo acusó a colorados de vender el Paraguay

    El candidato a presidente de la República por la Alianza Patriótica para el Cambio (APC), Fernando Lugo, acusó ayer indirectamente a los gobiernos colorados de las últimas décadas de haber alquilado y vendido al Paraguay, y aseguró que eso cambiará “cuando los paraguayos y paraguayas recuperemos nuestra dignidad. La dignidad del pueblo paraguayo no tiene precio”. Por su parte Federico Franco pidió expulsar del poder a “estos ladrones de la Patria, empotrados en el poder desde hace 60 años”. Fue durante una reunión, en San Juan Bautista, Misiones, con intendentes liberales de municipios de ese departamento.
    http://www.lanacion.com.py/sec.php?sec=1

    NÃO DÁ PARA ACREDITAR NESSE SENADOR, NÃO É MESMO???!!!

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