Vida depois da CPMF | Fábio Campana

Vida depois da CPMF

“Temos de cortar na veia”, diz Lula sobre a redução das despesas para compensar o fim da CPMF. Ora, pois, reduzir impostos e enxugar os custos é sempre bom.

Desde 1994 a carga tributária do país aumentou 12 pontos percentuais, algo próximo de R$ 320 bilhões, equivalente a 17 anos de receita do Paraná.

Quando o Brasil crescia em torno de 9% e o emprego aumentava 3% ao ano, a carga era de 24% do PIB e o Estado investia 20% dos seus recursos, cerca de 4% do PIB. Foram construídos portos, estradas e infra-estrutura de energia e telecomunicações.

Hoje, a carga tributária é de 36% do PIB, a maior do mundo emergente. Resultado prático: a média de crescimento entre 2001 e 2007foi de 3,2% e o aumento do emprego modestíssimo.

É certo que temos inflação civilizada e equilíbrio externo, este produzido mais por acidente histórico do que por nossas virtudes. A verdade é que o Estado investe menos do que 5% do PIB, insuficiente até para repor a deterioração da infra-estrutura consumida nos últimos vinte anos.

Imaginem esses R$ 320 bilhões apropriados pelo Estado injetados na economia. Produziria mais investimentos, mais empregos e mais salários. O governo ampliou a máquina, aumentou os gastos e aplicou em programas sociais que fazem sucesso eleitoral do Oiapoque ao Chuí.

Os programas sociais são necessários. Quando o governo é incapaz de construir condições para gerar empregos socialmente úteis, deve promover a assistência e melhorar a igualdade de oportunidade para os menos favorecidos pelo mercado.

Mas acreditar que esta é a solução só mesmo para as cabeças esclerosadas dos novos conservadores de esquerda que acreditam que o assistencialismo é o novo caminho da revolução.


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