Mocinho barrigudo | Fábio Campana

Mocinho barrigudo

Requião tenta sensibilizar o distinto público passando-se por vítima de arbitrária censura do desembargador federal Edgard Lippmann.
Se apresenta em um dos seus papéis favoritos, o do mocinho agredido que procura se safar da armadilha preparada pelos inimigos do bem, da justiça e dos desprotegidos. Faltou-lhe physique de rôle. Apesar do regime, a barriga não lhe permitiria interpretar, por exemplo, o papel de Alan Ladd em “Os brutos também amam”.

Mesmo acima do peso, Requião compareceu à escolinha das terças e quando tomava a palavra o áudio era cortado e aparecia na tela o carimbo de “censurado”, seguido da inscrição “pelo desembargador federal Edgard Lippmann”. O texto era completado pela informação de que os interessados em ouvir o governador deveriam sintonizar o canal 21, privado.

Ora, pois, cumpriu-se em parte a decisão da Justiça. Requião se mostrou impedido de fazer autopromoção e achincalhar os adversários através do canal 9, público, sob controle estatal, criado e mantido para fins que não são os adotados pór ele. Mas não deixou de infringi-la ao acusar o desembargador de censurá-lo.

Mas fico claro que Requião não está sob censura. Pode falar o que quiser, quando quiser, desde que não use um bem público que tem outra destinação para seu show de descarrego. Da mesma forma que não pode usar os aviões do Estado para distribuir panfletos contra os inimigos, nem usar o poder de polícia para intimidar adversários ou punir desafetos com a violência que só deve ser usada para coibir a criminalidade.

Elementar, não é mesmo? Ocorre que nestas plagas a concepção de democracia é muitas vezes de um primarismo que beira a indigência intelectual. Temos governantes que acreditam que ao ganhar a eleição recebem para uso pessoal e indiscriminado o Estado, seus meios e também os bens públicos, dos quais passa a dispor como se fossem de sua propriedade e acima das regras que valem para todos.

Na verdade, o governante recebe um mandato para gerir o Estado e aplicar suas idéias nos limites que a lei lhe permite e que aí estão para resguardar o óbvio: o Estado, os bens públicos, os instrumentos de governo são de propriedade coletiva. O mandato do governante é transitório. A democracia precisa de leis e de respeito às leis, não de submissão ao déspota do momento.


7 comentários

  1. roberto s.carv alho
    terça-feira, 15 de janeiro de 2008 – 13:03 hs

    O REINO DA MENTIRA – lembrem-se das ações que o ‘doentinho’ moveu contra críticas que recebeu – como foi o caso do JONI VARISCO.-A situação do Paraná é lamentável,
    recebe as menores transferências da União, dos Estados de maior e médio porte; ´vivemos
    o ‘império’ da mentira.

  2. jango
    terça-feira, 15 de janeiro de 2008 – 13:50 hs

    E porque, Fabio, nestas plagas a concepção de democracia é primária ? Oxalá fossemos um novo Max Weber para elaborarmos uma “A ética política e o espírito dos governantes” ou um novo Alexis de Tocqueville para esboçarmos uma “A demagogia no Paraná” e dignosticarmos a razão desta indigência intelectual. Mas em nosso modesto sentir tem a ver com o analfabetismo político denunciado pelo velho e oportuno Brecht e a anemia profunda das ditas autoridades de controle público cheias de prerrogativas, régios salários pagos pelo povo e calhamaços de leis e normas que não se empenham em cumprir seu encargo de apurar os desvios dos gestores públicos. O povo está votando em grupelhos que se renovam há decadas no poder e tratam a administração pública como donos e não como mandatários/prepostos do povo. Fazem e desfazem; usam e abusam do poder e do erário público sustentado pelo dinheiro suado do povo. E o povo não quer saber do poder do seu voto e também não se interessa pelo custo de seu voto. Do analfabetismo político resulta a falta de segurança, de saúde, de educação, etc.; da anemia profunda das autoridades de controle público as irregularidades não apuradas, os tolerados desvios de poder, as ações administrativas temerárias dos gestores públicos que sabem (ou contam saber) que nada vai ser apurado ou quando for apurado já estarão em outras plagas. A lei de improbidade administrativa, p. ex., está à beira da revogação no Estado por falta de uso, inobstante a série ininterrupta de descaminhos administrativos denunciados pela mídia. Estamos num impasse: ou adotamos o exemplo corretivo da decisão do Desembargador Lippmann ou cairemos na anomia (estado de ausência de norma de conduta).

  3. VETO AO PORNO
    terça-feira, 15 de janeiro de 2008 – 15:22 hs

    A figura física, o jeitão e o sotaque do Sr. Requipotrão são de uma pornografia jamais vista e merecem plena censura, ao menos, para os homens e mulheres de bom gosto.

  4. Rodrigo
    terça-feira, 15 de janeiro de 2008 – 23:46 hs

    Prá mim continua ilegal, pois ele está fazendo isto na hora do expediente, obrigando a dezenas de secretários e funcionários que deviam estar trabalhando, a ficar ouvindo suas idiotices.

  5. malu
    quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 – 9:04 hs

    Afinal, qual e o cu$to da escola de governo das tercas feiras????
    ele fala tanto em economia!!!
    malu

  6. shirley
    quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 – 11:24 hs

    Fico admirada e intrigada com vocês jornalistas que em lugar de se revoltar com a censura, parece apoiá-la….
    Já pensou se a moda pega?
    Outro dia vocês ficaram revoltados porque Chaves não renovou a concessão de uma Tv, lá fora do nosso País.
    E até tentaram taxar Requião de ser amigo de ditador.
    Agora dentro do nosso Estado alguem censura um programa de Televisão, que voces sabem que é perseguição política, sim, contra um Governador, que só fala a verdade,
    e voces acham bonito…
    Bah… Não se fazem mais jornalistas como antigamente…

  7. shirley
    quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 – 11:27 hs

    Fabio, coloque uma foto sua, de corpo inteiro, no Blog, queremos ver se voce esta acima do peso ?

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