Desfaçatez | Fábio Campana

Desfaçatez

A desfaçatez de Requião não tem limites. Pede solidariedade à imprensa que chamou de canalha contra uma decisão judicial que lhe limitou o uso da TV Educativa para, entre outras coisas, chamar a imprensa de canalha.

Não sou favorável a qualquer tipo de censura. Nem mesmo a Requião, que deve falar à vontade mesmo quando lhe vem a necessidade de aproximar-se da abjeção e do horror para exorcizar o seu próprio demônio do medo.

É bom esclarecer que a decisão do desembargador federal Edgard Lipmann não impede o Duce de falar. Impede, sim, o uso que Requião faz de um bem público, a TV Educativa, para achincalhar os desafetos pessoais e as instituições que põem reparos à sua administração.

Todos devem concordar que a TV Educativa tem outra função. Assim como o Museu Oscar Niemeyer, que Requião usa como cenário para seus shows de descarrego.

Cada povo tem o governo que merece, embora muitas vezes se arrependa da escolha. Parece ser o nosso caso. Um ano e dois meses depois da eleição de Requião, uma parcela significativa de paranaenses que nele votou, declara seu arrependimento em todas as pesquisas de opinião.

Em situações como esta é que percebemos as vantagens da democracia. A democracia não garante a escolha invariável de bons governantes. Ela apenas torna os maus menos desastrosos e fornece à sociedade os meios para defender-se eficazmente deles.

A democracia deve proteger a sociedade dos maus governos e estes de si próprios. Pressões indevidas, impulsos cesaristas e até as instabilidades psíquicas do do governantes, tudo isso deve esbarrar no anteparo das instituições, prender-se em suas malhas e suscitar forças contrárias que tendem a devolver algum equilíbrio à nau do Estado.


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