Conservadores | Fábio Campana

Conservadores

Pouco tempo antes de morrer, Luís Roberto Soares observou que a esquerda funcionária se constituira em força política extremamente conservadora.

Esmiuçou o conjunto de idéias esclerosadas e esclerosantes que se baseia na fé estatólatra e no puído nacionalismo da turma de Requião para demonstrar o seu caráter conservador.

Concluiu que a esquerda acompanhante de Requião há muito abandonou qualquer idéia transformadora. Integrou-se a horda de burocratas e passou a venerar o poder do Estado que pretende preservar em toda a sua extensão e glória.

Ou seja, essa gente tem a firme disposição de não mudar absolutamente nada que possa afetar o que recebe em benesses, prebendas e sinecuras. Daí a resistência à redução da máquina e sua preferência pelos programas anacrônicos que não ajudam a modificar os padrões sociais de comportamento.

Em vez de revolução, assistencialismo para ampliar a base eleitoral e garantir mais um período no poder. Tudo sob o glacê de um proselitismo chinfrim eivado de patriotada.

O grave é que esse tipo de conservadorismo costuma atrair pessoas de poucas luzes, dizia o Coski, fazendo a mesma ressalva de John Stuart Mill há cento e oitenta anos.

“Eu nunca quis dizer que os conservadores sejam geralmente burros. O que eu quis dizer é que as pessoas burras são geralmente conservadoras. Esse fato me parece tão óbvio e tão universalmente aceito que não posso imaginar quem tenha neurônios que o negue.”

Acreditava Mill que um grupo conservador tende naturalmente a atrair para si a maior parte das reservas de burrice da comunidade, o que o torna quase sempre solidamente estúpido, mas também poderoso. Nada definiria melhor a tigrada que segue Requião e governa o Paraná.


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