Ano do baiacu | Fábio Campana

Ano do baiacu

No horóscopo chinês o ano que terminou ontem foi o do porco. No anedotário antoninense outro bicho marcou 2007. Foi o ano do baiacu, apelido dado ao governador Roberto Requião depois que ele duvidou da masculinidade da moçada de Antonina.

Baiacu, explicam os antoninenses, pois Requião é tal qual o peixe, “barrigudo e ninguém quer comer porque está cheio de veneno”.

Essa humorada demonstração de desapreço popular pelo governador e seu estilo destemperado não é um fenômeno apenas em Antonina. O traço autoritário, a agressividade, a traição aos parceiros da política e a série de denúncias de corrupção minaram de vez a base de apoio do governador.

Requião despencou nas pesquisas. Só os ingênuos e os cínicos negam a evidência comprovada pelas pesquisas de boa fonte. Em um ano deste mandato a aprovação do governo caiu das alturas dos 65% para 48%.

O Datafolha já mostrara o fenômeno da rápida deterioração da imagem do governo e do governador. Agora, a Paraná Pesquisa confirma o desastre. Hoje, Requião teria dificuldades para se eleger senador. A sua sorte é que serão duas vagas em disputa em 2010.

As atitudes tresloucadas, o desrespeito pelas instituições democráticas, o nepotismo desbragado e as evidências de corrupção fizeram de Requião uma caricatura do que já foi em outros tempos, quando liderou campanhas eivadas do moralismo que costuma emocionar a maioria. Hoje, perdeu a credibilidade para denunciar a corrupção dos adversários.

Some-se a tudo isso, a idéia crescente na população de que o governo Requião se tornou incompetente para cumprir promessas como o de baixar o pedágio ou manter elevados os padrões dos serviços de saúde e da segurança pública. É o fim.


7 comentários

  1. José Carlos
    terça-feira, 1 de janeiro de 2008 – 13:44 hs

    Votei no arquiduque de Mello e Silva para todos os cargos em que concorreu ao longo de sua trajetória política, porque sempre enxerguei nele duas virtudes que faltavam em quase todos os políticos deste país: coragem e honestidade. Todavia, nestes segundo e terceiro mandatos, estas mesmas virtudes, tornaram-se vícios: a coragem transformou-se em truculência, prepotência e destempero; e a honestidade, minguou em omissão, cegueira e conivência. Jamais terá meu voto novamente, bem como de muitos paranaenses que, como eu, devem ter percebido o engodo, a farsa, o embuste. Devia retirar-se enquanto pode, pois desgraçou o mandato que o povo lhe outorgou!! Vade retro…

  2. jango
    terça-feira, 1 de janeiro de 2008 – 13:51 hs

    O mote “o pedágio abaixa ou acaba” é típico. Mote eleitoreiro e incompetente já pela proposição, que o povo, em geral inacostumado a reflexão frente a discursos politicos às vésperas das eleições, assimila. Eleitoreiro porque não havia e não há lógica no “abaixa ou acaba”, afinal um contrato não segue o ditame de uma só das partes em vista de seu objeto e obrigações. Incompetente porque, ao seguir o seu mote, o governo temerariamente encetou a maior aventura judiciária que se tem notícia no Paraná, movendo dezenas de ações judiciais que, rechaçadas pela Justiça, estão a constituir um passivo milionário ou segundo algumas noticias, bilionário, ao erário público. E o mais lamentável de tudo isto é que as autoridades ditas de controle público cheias de prerrogativas, régios salários pagos pelo povo paranaense e calhamaços de leis e normas não tomam uma medida sequer para apurar as responsabilidades pelo rombo que tal intento irá causar no erário público, que sabemos, é composto do dinheiro suado do povo paranaense. Daí que o mote “o pedágio abaixa ou acaba” agora se transformou em “o pedágio fica e o povo paga o passsivo das ações judicias perdidas, paga o pedágio e paga as autoridades de controle público que nada apuram”. 2008 poderia ser mais alvissareiro.

  3. Pedro de Mari
    terça-feira, 1 de janeiro de 2008 – 15:33 hs

    Roberto Requião adota a tese do punguista, do batedor-de-carteiras, que depois de roubar a bolsa da velha senhora em plena praça Osório, sai correndo pela Boca Maldita gritando “pega ladrão! pega ladrão!”. Seu discurso moralista não emociona nem ilude mais ninguém: é a mais deslavada mentira da história política do Paraná. Seu ciclo está chegando ao fim, como chegaram ao final os ciclos de Ney, de Lupion. Com a diferença de que RR é mais autoritário que Ney e mais leniente com furto dos dinheiros públicos que o velho e injustiçado Lupion.

  4. Rodrigo
    terça-feira, 1 de janeiro de 2008 – 19:01 hs

    Acabou? No primeiro ano de mandato?
    Seria ótimo então que ele renunciasse logo.
    Se alguém da família gosta dele (o que acho difícil) poderia aconselhá-lo a sair fora, antes que ele morra de um ataque cardíaco nas sessões de descarrego da escolinha.

  5. CEO
    terça-feira, 1 de janeiro de 2008 – 23:49 hs

    É, em Cianorte uma vez o candidato Requião enfrentou vaias do professorado e ele descarregou nas professoras dizendo que elas estavam neuróticas e precisando de homem. Isso em pleno palanque durante um comício. Fora a outra vez em que ele perguntou para uma vendedora de roupas em um dos shoppings da cidade, se ela traía o marido. Perante as câmeras!

  6. Ercílio
    quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 – 0:46 hs

    Como você está mal informado Fábio Campana, ele xingou apenas um tal de Eduardo Bó, não chamou os antoninenses masculinos de gay, mas apenas um tal de Eduardo Bó.
    Esse rapaz é seu amigo? Pra vc ficar toda hora falando em baiacu?

  7. José Carlos
    quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 – 10:15 hs

    Ora, Ercílio… Eduardo Bó deve ser o irmão apaniguado com uma sinecura no Porto de Paranaguá… Quem lembra do personagem Pedro Bó, do programa do Chico Anísio da década de 70, sabe bem que os Mello e Silva são meio Bó: Mauricio Bó, Eduardo Bó, Lúcia Bó, e as dezenas de paretnes empregados no governo…

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