O punhal da traição | Fábio Campana

O punhal da traição

Mesquinharia? Desfaçatez? Que tal falta de caráter? A atitude do governador Requião ao saber que o senador Osmar Dias conseguira livrar o Paraná das multas e das dívidas ao Itaú é emblemática.

Requião orientou a sua assessoria de imprensa a divulgar que o sucesso fora seu e a iniciativa do senador Romero Jucá, de Roraima. É o que aparece no sítio oficial do governo na Internet.
O gesto demonstra falhas de caráter que, a esta altura da vida, Requião não vai curar. Até, porque, a circunstância do poder não ajuda ninguém a adquirir hu-mildade e a reeducar o espírito.

O senador Osmar Dias poderia simplesmente ter cruzado os braços. Mas fez o que se espera de um ver-dadeiro senador da República, a representação do inte-resse de seu Estado. Mexeu-se. Empenhou-se. Trocou farpas. Exigiu que a resolução que atendia Rondônia incorporasse as reivindicações do Paraná.

Conseguiu derrubar não só a multa, mas também a dívida principal de R$ 1,274 bilhões retornasse aos emitentes do títulos. O Paraná fica devendo R$ 405 mi-lhões porque recebeu 60% do valor dos títulos emitidos por Alagoas e não repassou ao Itaú.

Agora, Osasco vai pagar R$ 350 milhões. Guaru-lhos, R$ 74 milhões. Santa Catarina, R$ 270 milhões e Alagoas R$ 270 milhões. Aliás, como deveria ter acon-tecido desde o inicio. Graças à iniciativa do senador Osmar Dias.

Quanto a Romero Jucá, líder do PMDB, votou contra. Da mesma forma que Aloísio Mercadante, do PT. Os dois tinham sido designados anteriormente para tratar do assunto e dele saíram com uma convicção, nunca mais envolver-se em qualquer questão onde Re-quião tenha ingerência direta.

Os motivos podem ser resumidos na frase muito repetida por Jucá: “Ainda trago nas costas o punhal da traição de Requião”.


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