Equívoco de 86% | Fábio Campana

Equívoco de 86%

Em 2002, quando Requião se elegeu governador prometendo ‘baixar ou acabar com o pedágio’ um curitibano que quisesse ir às praias do Paraná com o seu automóvel pagaria R$ 6,10 de pedágio para a Ecovia.

Depois de cinco anos de bravatas, invasões de pedágio e dezenas de ações judiciais inúteis, se o mesmo curitibano decidir ir ao Litoral pagará R$ 11,40 (mais R$ 11,40 para voltar), ou seja, arca com um aumento de 86% nas tarifas”.

Ao optar pelo caminho da confrontação para ficar sob a luz dos holofotes, o governador Roberto Requião adotou a pior e menos inteligente estratégia com relação ao pedágio.

Ao desdenhar o diálogo e adotar o conflito trouxe enormes prejuízos aos usuários e — ao contrário do que sugere o seu discurso incendiário mas inócuo — beneficiou as concessionárias do pedágio que receberam integralmente todos os aumentos previstos em contrato e não tiveram de abrir mão de um único centavo em negociações, porque o governador simplesmente se recusou a negociar.

Entre as estratégias equivocadas e desastrosas de Requião para equacionar a questão do pedágio está o estímulo dado pelo governo às ocupações e o vandalismo contra os postos do pedágio promovido pelo MST e por entidades laranjas, geralmente comandadas por membros da esquerda funcionária abrigados em bem-remunerados empregos na máquina pública.

Esse tipo de comportamento, além de inútil para promover a desejada redução das tarifas vai deixar um pesado passivo judicial. Serão dezenas de milhões de reais que os sucessores de Requião, mais cedo ou mais tarde, vão ser obrigados a pagar.

Tudo indica que uma solução racional para a questão do pedágio só deve ser esperada para depois que Requião deixar o governo.


3 comentários

  1. jango
    domingo, 9 de dezembro de 2007 – 11:42 hs

    O mote requiônico “o pedágio abaixa ou acaba”, após mais de uma centena de ações judiciais perdidas e um passivo bilionário para o erário público, transformou-se no “pedágio fica e o povo paga o pedágio e o passivo”. Não podemos esperar até o fim desta gestão governamental temerária para começar a apurar a responsabilidade por esta aventura judiciária sem precedentes, e inclusive, coibir que assim continue esta cavalgada insana depauperando os cofres públicos. O escárnio do Sr. Arzua dizendo que um bilhão a mais ou a menos não faz diferença para o erário merece uma resposta adequada posto que se trata do dinheiro suado do povo paranaense. É hora das autoridades de controle público cheias de prerrogativas, régios salários pagos pelo povo e calhamaços de leis e normas deixarem de serem anêmicas, insossas e inodoras e apurarem estes atos de má gestão e prestarem contas à sociedade. É o que a sociedade espera de seus representantes ou será que a única esperança do povo paranaense é pagar os bilhõezinhos destes passivos a looooongo prazo, como folgadamente preconiza o Sr. Arzua ?

  2. Jose Carlos
    domingo, 9 de dezembro de 2007 – 13:01 hs

    O que deveria ser adotado em nossa legislação eleitoral é o instituto do “recall”. É um absurdo que um governante se comporte do modo que o Fanfarrão se comporta e o povo não possa retomar o mandato que é seu. Aliás, mandatário é um procurador, que age em nome do mandante, o povo. Como qualquer procuração, o mandato deveria ser revogável quando o mandatário perde a confiança dos mandantes…

  3. jango
    domingo, 9 de dezembro de 2007 – 13:49 hs

    Jose Carlos:
    Ótimo comentário. Está na hora de irmos em frente com o recall. Para informação geral tramitam no Senado Federal duas propostas sobre o tema: um projeto do Senador amazonense Jefferson Peres (PDT-AM) prevendo a possibilidade de revogar os mandatos dos ocupantes de cargos do Poder Executivo ou dos Senadores e outro do Senador Antonio Carlos Valladares (PSB-SE) inspirando-se em modelo suíço, previu, diferentemente, a possibilidade de revogação dos mandatos legislativos, individual ou coletivamente, como do Congresso Nacional ou de uma Câmara Municipal. Os juristas Dalmo de Abreu Dallari e Miguel Reale Junior, preconizam a adoção conjunta do recall com o voto distrital misto, na discussão da reforma política. A gestão requiônica e os escândalos dos sanguessugas, aloprados e mensaleiros são indicadores da necessidade imperiosa do recall.
    Para informações sobre o tema:
    “O controle dos mandatos populares pelo Legislativo no Direito brasileiro.O instituto do “recall” e dos referendos revogatórios” por Vinicius Cordeiro, Advogado
    (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7200).
    “O direito de revogação do mandato político representativo”, por Alexander Santana, Procurador Federal (http://alexandersantana.googlepages.com/)

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