Bravatas, bufonarias | Fábio Campana

Bravatas, bufonarias

Requião diz que a oposição ao seu governo não existe. Refere-se à Assembléia Legislativa. Garante que dos 54 deputados estaduais, apenas um não lhe acata as ordens.

Os demais, Requião garante e diz que dá provas, fazem o que ele quer e ainda cumprem rituais desmoralizadores de vassalagem. Entre outros, o do beija-mão e entrega de presentes nesta época do ano.

A exceção, segundo o governador, é Valdir Rossoni, líder da oposição e pelo visto de si mesmo.Neste ele pretende dar corretivos físicos.

Há, nessa declaração, boa dose de exibicionismo diante da jornalista Luciana Pombo, bonita e inteligente, que Requião pretendia impressionar com mais uma sessão de bravatas e bufonarias.

A mentira é evidente porque Requião não saberia explicar o vexame que foi a retirada de seu pacote de alta de impostos e tarifas quando ficou evidente que ele não passaria na Assembléia.

Bravatas à parte, Requião se beneficia do fato de que é muito provável que não haja no mundo povo mais “governista” do que o paranaense. Nossa gente é convencida das insubstituíveis virtudes da intervenção governamental em todos os planos e em todos os assuntos.

A tradição e a cultura cívica paranaense são de raiz fortemente paternalista e senhorial, vindas da Península Ibérica e dos séculos coloniais, e confirmadas num universo rural dominado pelo coronel interiorano ou pelo caudilho.

No contexto atual, republicano e urbano, essas forças ancestrais produziram o paternalismo populista, esse que dá leite de graça e insulta aqueles que aponta como inimigos do povo. Requião, que se quer moderno e revolucionário, descende dessa velha cultura que tenta reproduzir e não consegue nem mesmo como farsa, apenas como caricatura.


4 comentários

  1. jango
    terça-feira, 25 de dezembro de 2007 – 11:39 hs

    Sem prejuízo do aspecto sociológico da cultura cívica paternalista e senhorial enraizada no Paraná, onde “lideranças” e suas “equipes” de nepotes e comissionados vem se revezando na direção do Estado há décadas, a “oposição” ao governo (salvo as exceções já notórias) realmente não existe como contrapeso aos ditames do governo de plantão em benefício do interesse público. O fato de leis “mandadas” terem sido sistematicamente cassadas pela Justiça coloca a instituição no nível mais rasteiro da subserviência ao governador. Mas o mais lamentável para o povo que paga a conta são as outras autoridades ditas de controle público. O Tribunal de Contas, p. ex., o que fez com o orçamento anterior maquiado e deficitário do governo ? Nada de efetivo, embora tenhamos uma lei de responsabilidade fiscal em pleno vigor, exceto neste Estado para o governo estadual. Por que ? O Ministério Público, com tantas denúncias veiculadas pela mídia e outras até apuradas por promotores insuspeitos não apresenta nenhum resultado, p. ex., as televisões laranjas da Cequipel, os aditivos da Pavibrás, etc. Nada de efetivo. A lei de improbidade administrativa está prestes à revogação por falta de uso no Estado contra o centro do poder, inobstante farto material para ser operacionalizada como dever das autoridades frente aos descalabros denunciados. Mas nada acontece. A Justiça por seu lado demora na apreciação de “determinados” processos, p. ex. a ação contra o nepotismo estadual, a ação contra a fragmentação dos cargos em comissão. A quantas anda ? Ninguém sabe. Tais autoridades cheias de prerrogativas, régios salários pagos pelo povo, calhamaços de leis e normas são tomadas de profunda anemia quando se trata de questionar o poder do qual usufruem as benesses e não enfrentam os encargos de defender o erário e combater a improbidade administrativa, no entanto na ocasião de manter “atualizado” os régios salários estão cheias de vigor. Para apurar a responsabilidade pelo passivo bilionário das ações judiciais perdidas pelo Estado contra o pedágio não conte com elas, todavia para acompanhar o governador em suas viagens inúteis ao exterior são lépidas e ligeiras. Tudo isto é por demais lamentável. Por fim, o povo, este povo que não esboça reação a este estado de coisas e só paga as contas e vota sem saber por que e por quem está votando até que os eleitos assumam o poder e exerçam suas “prerrogativas” tem a oportunidade, com a divulgação ampla da midia, de tomar consciencia do que se transformou o Estado na mão de seus candidatos eleitos e de decidir, de uma vez por todas, se a caravana ladra e os cães passam (tudo fica com está) ou se para cada cabeça, um voto e um bom candidato na cadeira e os maus candidato na lata de lixo. Feliz Natal e um Novo Ano de Reflexões, povão bão de voto do Paraná !

  2. Rodrigo
    terça-feira, 25 de dezembro de 2007 – 15:12 hs

    Talvez um comprimidinho azul amenize a fúria do homem.

  3. Benedito O Pires
    terça-feira, 25 de dezembro de 2007 – 18:43 hs

    Roberto Requião de Mello e Silva é a mais sórdida, burlesca, lamentável e lastimável figura surgida na vida pública paranaense desde Haroldo León Peres. A diferença, é que León Peres era uma figura menos nociva e asquerosa.

  4. jair jacoh
    quarta-feira, 26 de dezembro de 2007 – 16:24 hs

    Poupem Dr. Haroldo, derrubado por empresários locais. O tempo tem se encarregado de mostrar mais. Conheci Dr. Haroldo Leon Perez já no fim da vida, sereno, advogando em Maringá. Figura exemplar.

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