Sinais da decadência | Fábio Campana

Sinais da decadência

No domingo à tarde, Requião foi ao Shopping Barigui com a família. A mulher, Maristela, três passos atrás, tentava repetir o andar apressado do homem. Os filhos procuravam acompanhar a mãe. Em torno do grupo, os seguranças disfarçados de seguranças.

Requião exibia cara de poucos amigos. Aliás, parece não tê-los quando se afasta de seu território palaciano. Não apareceu nenhum cidadão para estender-lhe a mão ou cumprimentá-lo pelo governo.

Os tempos não são de vinhos e de rosas para Requião. No sábado, conta a Ruth Bolognese, Requião desabafou aos poucos que estavam à sua volta na festa de casamento da filha do empreiteiro José Ferreira. “Não agüento mais, o meu governo só tem ladrão”.

Ora, quem diz sabe do que está falando e deve ter escolhido lugar e hora para dizê-lo. O certo é que este terceiro mandato tem todas as características de fim de ciclo marcado pela deterioração da imagem de Roberto Requião.

São tantas as denúncias de corrupção, tantas as confirmações de ausência de neurônios em áreas vitais da administração, tamanha é a necessidade do governador repetir que ele e seus irmãos são honestos, que ninguém mais acredita que este seja o governo que o Paraná merece.

A decadência é visível. Inclusive a pessoal. Não só física, mas intelectual. Requião substituiu o humor crítico da juventude pela auréola de maniqueu bolivariano, proferindo frases preparadas pelos intelectos de terceira ordem que o servem em troca de um cargo em comissão.

Creiam: Roberto Requião foi melhor do que isso à época em que tinha autonomia e não se deixava levar pelos áulicos. Mesmo os que não concordavam com as suas posições políticas, viam nele qualidades de ousadia e inteligência. Agora, a maioria espera que passe logo o seu período para que venha algo novo, sem vícios, capaz de renovar esperanças.


7 comentários

  1. Ferolho
    terça-feira, 30 de outubro de 2007 – 8:50 hs

    Como o poder é de fato ilusório e ridículo….

    No fim, apenas a solidão e a decadência…

  2. Zarolho
    terça-feira, 30 de outubro de 2007 – 8:52 hs

    Pode-se enganar alguns o tempo todo e a todos por algum tempo; porém, o que não se pode é enganar a todos o tempo todo!

  3. Descamisado
    terça-feira, 30 de outubro de 2007 – 12:52 hs

    Um bolivariano num templo do capitalismo?

    Só rindo mesmo…

  4. Cossadinha
    terça-feira, 30 de outubro de 2007 – 12:53 hs

    DOMINGO NO SHOPPING:

    SERÁ A FAMÍLIA ADAMS?

  5. Lero-lero
    terça-feira, 30 de outubro de 2007 – 12:54 hs

    O REQUIÃO É MESMO UM HOMEM DE FAMÍLIA

  6. caio brandao
    terça-feira, 30 de outubro de 2007 – 13:56 hs

    Li, na matéria, entre aspas, a afirmação de Requião ” Não aguento mais, no meu governo só tem ladrão”. Pois é, quando por ele fui convidado para presidir a Sanepar, ouvi de Sua Excelência a seguinte frase, desnecessária, aliás: ” Quero o seu compromisso de não roubar e de não deixar roubar”. Bom, entrei limpo na Sanepar e dela também saí limpo, tanto quanto entrei, sem fazer favores e nem concessões e, portanto, também sem fazer amigos. Parece, contudo, que eu fui um dos poucos a levar à sério a recomendação. Coisas do governo, coisas do Paraná. caio brandão

  7. José Antônio Rezzardi
    terça-feira, 30 de outubro de 2007 – 14:53 hs

    É lamentável! De nada está adiantando a experiência adquirida em tantos anos de militância política. Vai terminar desacreditado e mal falado. Que pena! Já fui grande admirador e eleitor dele, mas agora…
    Quem é honesto não precisa dizer, quem conhece a pessoa sabe se ela é ou não é, porém, quando o próprio sente a necessidade de afirmar…
    Se o Requião sabe que o seu governo está cheio de ladrão, por que não demite? Ia ser muito bom para o Paraná, mas melhor ainda pra ele mesmo. Não tenho dúvida que seria uma atitude que o fortaleceria politicamente. Não basta falar grosso, tem que agir, mostrar trabalho e seriedade. É isso que o povo gosta de ver nos seus representantes eleitos pelo voto direto. Ainda há tempo para mudar!

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