Queda livre | Fábio Campana

Queda livre

Requião chamou os mais próximos, ontem, para uma conversa em Palácio. Não escondia os maus bofes nem a origem de enormíssima irritação, que despejou na forma de insultos sobre os ouvintes.

Nada que constrangesse a rapaziada habituada a carraspanas do tipo. Há, entre os seguidores mais soturnos de Requião, até mesmo quem confesse que sente falta das humilhações, pois as considera manifestação própria do afeto do Duce.

O governador examinou pesquisas de fonte sadia. Tremeu na base. Se convenceu, afinal, de que se não houver mudança de rumo em sua administração vai terminar o mandato em situação vexatória, com índices mais baixos que os de Jaime Lerner no momento de deixar o segundo mandato.

O que mais irrita o governador é a contribuição da sucessão de denúncias de corrupção para o desgaste de sua imagem como nunca dantes ele experimentara. Percebeu agora que de nada adianta demitir aqueles que denunciam as falcatruas, como fez com Sandra Turra, Leopoldo e Elma Romanó.

Eliminar o denunciante é solução antiga e de poucos resultados. No Paraná de hoje, ineficiente. Requião teria de continuar a demitir todos os que não admitem conivência com a corrupção e o número de decepcionados cresce assustadoramente, na mesma proporção em que vão se revelando novos desvios.

A base de apoio na Assembléia leva um susto por dia. Quando imagina que a munição de Valdir Rossoni e Élio Rusch acabou, lá vêm eles com novas, fresquíssimas, sobre corrupção na máquina administrativa. Só uma coisa não muda. Por trás de tudo estão algumas figuras de empresários que freqüentam todas as áreas do desgoverno. Diga-se, é gente que Requião não gosta de ter por perto, mas que não pode evitar para não ofender o pessoal de casa.


2 comentários

  1. Silvio
    sábado, 27 de outubro de 2007 – 13:52 hs

    Lamentável a postura do governador. Como diz o articulista, Requião “Percebeu agora que de nada adianta demitir aqueles que denunciam as falcatruas (…)Requião teria de continuar a demitir todos os que não admitem conivência com a corrupção e o número de decepcionados cresce assustadoramente, na mesma proporção em que vão se revelando novos desvios.” Certamente por querer “conviver” com a corrupção e, dessa maneira, compactuar com ela, é que Requião desencadeou ataques contra o Ministério Público do Paraná e seus Promotores e Procuradores de Justiça, Instituição independente e atuante, e que não pode ser “demitida” pelo governador, tentando este assim, e em vão, desmoralizá-la. Da mesma forma, certamente é pelo mesmo motivo execrável que está tentando o governador, reiteradamente, e mesmo contra decisões judiciais, sufocar e desmontar o Ministério Público, com diminuição do orçamento da Instituição, buscando inviabilizar a atuação dos fiscais da lei (Promotores e Procuradores do Ministério Público) contra as falcatruas existentes hoje no Paraná. O governador só conseguirá, com essa batalha desleal e insana, baixar ainda mais sua popularidade e prestígio. A sociedade paranaense vem respondendo, colocando-se ao lado dos “fiscais da lei” e contra as manobras politiqueiras e ilícitas.

  2. Ferrolho
    sábado, 27 de outubro de 2007 – 22:40 hs

    Já dizia o poeta: quem semeia vento, colhe tempestade!

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*