O bilhete de Dalton Trevisan | Fábio Campana

O bilhete de Dalton Trevisan

Dalton Trevisan faturou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura. Ficou em segundo lugar e levou R$ 35 mil. Pelo livro “Macho não ganha flor”. Alguns dos contos do livro foram publicados em primeira mão nas páginas da revista “Idéias”, publicada pela Travessa dos Editores. Dalton Trevisan não foi receber o prêmio. Mas enviou uma carta. Leia, a seguir o texto: “Só a obra interessa. O autor não vale o personagem. O conto é sempre melhor que o contista. Vampiro sim, de almas. Espião de corações solitários, escorpião de bote armado. Eis o contista. Só invente o vampiro que exista. Com sorte, você adivinha o que não sabe. Para escrever o menor dos contos, a vida inteira é curta. Uma história nunca termina. Ela continua depois de você. Um escritor nunca se realiza. A obra é sempre inferior aos sonhos. Fazendo as contas percebe que negou o sonho, traiu a obra, cambiou a vida por nada. O melhor conto só se escreve com tua mão torta, teu olho vesgo, teu coração danado. Todas as histórias – a mesma história, uma nova história. O conto não tem mais fim que novo começo. Quem lhe dera o estilo do suicida em seu último bilhete.”


Um comentário

  1. jango
    quinta-feira, 18 de outubro de 2007 – 12:22 hs

    É o grande Dalton em plena forma e conteúdo !

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*