Noite em claro | Fábio Campana

Noite em claro

Sudorese. Taquicardia. Tremedeira. Mal de Montezuma. Isso alguns políticos sentiram ontem, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a analisar três mandatos de segurança protocolados por PSDB, DEM e PPS.

A decisão do STF vale como uma etapa da Reforma Política, pois definirá se o mandato pertence ao político ou ao partido pelo qual ele foi eleito. A sessão foi suspensa às 19h32 de ontem.

Os políticos passaram a noite em claro. O pesadelo não acabou. Segue hoje, a partir das 14 horas. Haja ansiolítico para controlar os nervos daqueles que podem terminar esta quinta-feira sem mandato.

Por exemplo, imaginem como o deputado federal Hidekazu Takayama virou a noite? Ele foi eleito pelo PMDB, pulou para o PAN, seguiu para o PTB e hoje está no PSC. Caso o STF diga que o mandato é o partido, Takayama perde o gabinete e o posto para André Zacharow, que pensa positivamente em retomar a função no Planalto Central.

No meio da confusão, sobra tempo para descontração. O presidente interino do PMDB estadual, Luiz Cláudio Romanelli, em tom de brincadeira, defende a fidelidade partidária, “mas não a fidelidade conjugal”. Opõe-se ao jeitinho brasileiro, que poderia adiar para a próxima legislatura a aplicação de eventual decisão do STF em prol dos partidos.

Brasília, contudo, trama os seus próprios desvãos. Os deputados que trocaram de legenda após a eleição de 2006 engrossam a base de sustentação do governo Lula. Não interessa a eles, nem ao Planalto, uma ameaça, por exemplo, à aprovação da CPMF.

Para tal, está na mesa do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT/SP), um decreto legislativo que concede anistia aos infiéis. Livra a cara dos deputados que trocaram de partido depois das últimas eleições.


Um comentário

  1. Rufião D.
    quinta-feira, 4 de outubro de 2007 – 11:42 hs

    Sou a favor da mandato pertencente ao político, pois assim fica mais livre das mãos do partido. Se for propriedade partidária, a concentração de poder será demasiadamente grande, não haverá autonomia aos que se tornarão marionetes do partido.
    Mas o troca troca deslavado durante o mandato é um absurdo, candidatinho se alia ao partido mais popular… ganha a eleição e depois muda para um partido mais elitista. O político deveria ter liberdade de sair do partido, não de entrar em outro ainda durante o mandato. Como há vereadores sem partido, assim poderia haver deputados. Seriam os desertores do partido, não os vira casaca.

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