No caminho do bem | Fábio Campana

No caminho do bem

Fazer de Peabiru, o caminho, algo similar a Santigo de Compostela. O deputado Douglas Fabrício está a fim de recuperar, e restaurar, o trecho paranaense do chamado Caminho de Peabiru – estrada dos índios guaranis que se acredita tinha até três mil quilômetros de extensão, ligando o Atlântico ao Pacífico ainda na era pré-colombiana. Por ali, segundo historiadores, passaram conquistadores espanhóis, como Cabeza de Vaca; os jesuítas das reduções, bandeirantes paulistas nos séculos XVI e XVII e pioneiros desbravadores do final do século XIX.
 
Um projeto a caminho
 
Douglas apresentou projeto de lei para transformar a rota de Peabiru em patrimônio turístico e histórico do Paraná, para que seja conservado e explorado pelo turismo organizado, a exemplo do que se faz em vários países, atraindo milhares, até milhões, de turistas. O mais conhecido é o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha e França; mas há outros traçados sobre rotas milenares, alguns já desaparecidos.
 
Um caminho possível
 
O Caminho de Peabiru, que atravessa o Paraguai, o Brasil, o Peru e a Bolívia, ainda apresenta vestígios na região de Campo Mourão e outros municípios, como Pitanga. Ultimamente, o caminho tem despertado a atenção de vários setores e da comunidade acadêmica, que já produziu algumas pesquisas. Segundo alguns estudos, a trilha parte de dois pontos da costa brasileira, o litoral de Santa Catarina e o litoral de São Paulo, para cruzar os Estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
 
A renda do negócio
 
Explorada pelo turismo, poderá se transformar numa fonte de renda para os municípios daquela área, depois que for resgatada e mapeada, por meio de pesquisas, vestígios líticos e da memória coletiva. A palavra Peabiru, tupi-guarani, possui muitas traduções: caminho forrado, caminho pisado, caminho sem ervas, caminho que leva ao céu. Para os descendentes guaranis, é o caminho de busca da Terra Sem Mal. Pode ter sido, porém, um caminho de comércio para o povo inca.
 
O caminho sem mal
 
Douglas lembra que há hoje uma demanda reprimida para o turismo, uma vez que muitos locais tradicionais de visitação estão em zona de permanente conflito. O Novo Mundo pode, pela sua caminhada para a “Yvy Marã Ey” (“Terra Sem Mal”), ter a chance de exportar essa nova força turística, colocando-se entre as mais modernas alternativas de lazer, de cultura e de economia.


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