Mediocridades | Fábio Campana

Mediocridades

A política nestas latitudes está como o futebol deste nosso medíocre campeonato brasileiro. Na ausência de talento substitui-se a inteligência pela violência, o argumento pela virulência. Haja estômago.

O povo, que não é bobo, percebe que lhe oferecem na série A do campeonato um futebol de terceira categoria. O de primeira e o de segunda são jogados na Espanha, na Itália e outros paises europeus.

Quanto à política, os paranaenses perceberam que a constante troca de farpas, denúncias, factóides e coisas tais substitui por aqui a ausência de governo, que não faz nada de objetivo e útil há muito tempo, pois o governador dedica-se a falar bem de si mesmo e a execrar os adversários na tevê estatal.

É tamanha a necessidade de manter o tom e a mixórdia do debate político que Requião quando não tem em quem bater, bate em um de seus auxiliares sempre preparados para servir de mictório.

Assim caminha essa humanidade palaciana e os áulicos da esquerda funcionária costumam justificar tudo em nome da luta de classes e do conflito ideológico, repetindo velhas fórmulas gastas pelo uso.

As ideologias não existem para o prazer de alguns governantes ou o encantamento místico dos fanáticos do Apocalipse. Elas informam a linha partidária, até o momento em que convém renová-las.

O que a tigrada que elabora idéias para Requião não entende é que a consciência proletária não é o destino do trabalhador, a miséria e a opressão não são a condição definitiva da maioria.

Portanto, ninguém se assuste com eventuais assomos de retórica radical. Fazem parte das circunstâncias e deixarão espaço para outro discurso, se os políticos da geração pós-Requião estiverem à altura da tarefa, e, especialmente, de uma nova prática de administração do poder.


Um comentário

  1. Paulo Francis-cano
    terça-feira, 9 de outubro de 2007 – 14:06 hs

    O pior é sempre usar a ideologia (MDB de guerra com aquele sotaque de silvícola) pra outros fins… que o digam a Mana (adubando dá – e dá mesmo, pode crer), os bicheiros, etc… Até quando?

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