Máfia dos madeireiros | Fábio Campana

Máfia dos madeireiros

As acusações contra Elma Romanó, Chefe Regional do IAP/Ponta Grossa, ganham feição de vingança após a divulgação do documento em que ela revela, meses antes da denúncia que deu manchete hoje em todo os jornais, o que realmente ocorreu no escritório do IAP.

Elma é técnica de carreira e não se dobrou diante dos que confundem política com enriquecimento ilícito. Ela sempre trabalhou com colete à prova de balas e seguranças, dada a sanha da máfia dos madeireiros. Com o passar do tempo, confiou em subalternos corrompidos, delegou funções e foi induzida a assinar documentos que agora utilizam contra ela. O mau uso de sua assinatura provocou a carta enviada ao presidente do IAP, Vitor Hugo Burko, abaixo reproduzida, em que ela denuncia o esquema.

Ponta Grossa, 12 de junho de 2007Ilustríssimo Senhor Presidente,

Sirvo-me do presente para solicitar minha saída da Chefia Regional deste escritório, em carater irrevogável, tendo em vista que não tenho mais condições para continuar exercendo estas atividades, uma vez que em inúmeras vezes solicitei apoio da sede regional, com funcionários e até a presente data, nehum funcionário foi reposto dos sete afastados, quando assumi esta regional e ainda, os poucos funcionários que ali ficaram encontram-se sem condições de exercerem as atividades técnicas. Cabe ressaltar que apenas um foi demitido, apesar das denuncias existentes.

Ao encontrar problemas neste ecritório, protocolei junto ao Ministério Público pedido de investigação, uma vez que um funcionário emprestado a  este órgão elaborou laudos falsos, induzindo esta chefia a erro, o referido funcionário realizava vistorias sempre acompanhado por um policial da Força Verde, onde jamais imaginei que as informações fossem falsas, pois ainda existiasm laudos técnicos , elaborados por engenheiros sempre acompanhados de ART-Anotação de Responsabilidade Técnica.

Sempre tive uma conduta ilibada e minha honra está acima de tudo, colocando-me à disposição para as investigações que se fazem necessárias.

Inúmeras vezes recorri ao Senhor governador de Estado, sobre minhas súplicas com relação a estruturação do escritório regional e minhas chefias imediatas, o que nunca aconteceu.Procurei soluções caseiras, junto às Prefeituras Municipais, onde hoje neste regional, trabalham funcionários dos municípios de Reserva, Palmeira,Ponta Grossa, Tibagi e ainda dois engenheiros um de Jaguariaiva e da Associação dos Municípios dos Campos Gerais. Um engenheiro químico contratado pelo convênio com a FIEP.

Estes funcionários é que fazem o escritório funcionar e ainda estagiários contratados pela Câmara Municipal de Ponta Grossa, colocados à disposição deste regional.

Na primeira reunião de chefias relatei a situação deste regional, onde informei ao senhor da necessidade de concurso público imediato e das dificuldades administrativas na condução da administração.

Sinto-me extremamente triste, pois a minha instituição a qual eu tanto amo e me dedico não está preocupada com soluções. A corrupção é como um câncer que emite um monte de metástases, enquanto estamos controlando um foco estoura outro de maneira violenta.
Me sinto traída e indignada com o serviço público, as pessoas as quais confiei, se encarregaram de destruir meus sonhos e ideais, onde a gente passa a ter vergonha de ser honesto, de tentar combater a mais violenta e destruidora praga que é a corrupção.

Saio com a certeza que fiz o melhor, onde sacrifiquei minha vida pessoal em prol de um ideal de luta, mas que lutei sozinha, absolutamente sozinha em um mundo cheio de coisas inúteis e fúteis, não tive a couraça de um dirigente… tive sim a fragilidade de um cargo, onde as denúncias que fiz voltaram-se contra mim e hoje respondo a processo de danos morais por ter denunciado e a denúncia nunca ter saído do papael.

A lei do funcionarismo público é paternalista, onde o poder político é mais forte do que a dignidade.

O escritório de Ponta GRossa é o mais importante do Estado e foi abandonado,como tantos outros.

Tenho certeza que na minha vida profissional esta foi a pior experiência que tive, onde trabalhei revestida de cpolete a prova de bala e nunca tive apoio nenhum.

Senti medo sozinha e procurei nunca demonstrar a minha familia meus desencantos e temores, pois como disse eu acreditava que poderia contribuir para a sociedade.

Na certeza que fiz o melhor que pude.

Elma Nery de Lima Romanó
Eng. Agrônoma
Chefe Regional do IAP/Ponta Grossa


Um comentário

  1. jango
    quarta-feira, 24 de outubro de 2007 – 16:25 hs

    A grande verdade – com usa dizer Delfim Neto – é que o setor do “meio ambiente” é um apêndice do Estado, quando deveria ser unidade de primeiro escalão. E não só no Paraná. Veja-se a Amazônia e o Pantanal de alçada da União em degradação contínua. Não se quer dizer que os funcionários, diretores, secretários não cumpram seus misteres, mas que na dura realidade contam com uma máquina administrativa defasada, e não é de hoje. Não dá para cumprir a lei com os recursos hoje disponíveis. Diz-se que temos um corpo de leis dos melhores, e daí ? Olhem o Código Florestal. Não tem maior exemplo de lei vilipendiada que esta no país. De nada serve. As florestas simplesmente se vão a ferro e fogo. Resta o desapontamento. É lamentável, mas logo será trágico.

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