Fruta podre | Fábio Campana

Fruta podre

O Ministério Público confirma que recebeu o relatório do Ouvidor Luiz Carlos Delazari sobre os desmandos na administração da Ceasa, a central de abastecimento do Estado.

Houve falcatruas e das grossas, diz o relatório do Ouvidor, que soma informações a quatro ações que já estão na Justiça por iniciativa do Ministério Público. O promotor responsável por essas ações é Wilde Soares Pugliese.

Duas das ações são contra a ex-diretora Jane Setenareski e têm origem em relatório do Tribunal de Contas de 2006. Jane é acusada de gastos sem licitação em três oportunidades. A primeira ao contratar serviços gráficos. Na prática, a Ceasa tinha um contrato licitado com uma gráfica. Quando o prazo expirou a diretor Setenareski continuou a gastar na mesma empresa.

Licitação não era com Jane Setenareski. Ela mandou fazer reparos nos veículos da Ceasa sem licitação. O mesmo se repetiu quando ela mandou reformar os pátios das unidades da Ceasa.

Outra ação do Ministério Público é contra Nery José Ulbrih, ex-chefe do setor de transportes do Ceasa. É acusado de desviar dinheiro do Ceasa através de adulterações de notas fiscais.

Algo assim: o carro da Ceasa abastecia R$ 100,00 e a nota dizia R$ 300,00. A diferença era apropriada. Na apuração surgiram notas rasuradas e discriminação de serviços sem comprovação.

Tudo isso é muito pouco ou quase nada diante do que contém os quatro volumes de denúncias enviadas pelo Ouvidor Delazari. Cabeludas. Incríveis. Certamente levarão a abertura de novos processos contra Jane Setenareski, Nery José e outras pessoas que participaram de falcatruas na Ceasa.

Como se vê, havia fruta podre na administração da Ceasa e a única maneira de superar o problema é uma investigação profunda.


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