Esquerda abduzida | Fábio Campana

Esquerda abduzida

Grupo de professores da Universidade Federal do Paraná terminou intrigante pesquisa sobre o sumiço da esquerda nestas emolientes latitudes.

O trabalho, em redação final, conclui que a esquerda nativa quase desapareceu. Reduziu-se a pequeníssimos grupos e a um punhado de militantes que resistem ao assédio e procuram sobreviver à margem do populismo.

Agora, o mais intrigante dessa pesquisa foi perceber que a esquerda que floresceu e adquiriu significado e força na resistência à ditadura foi abduzida pela máquina pública.

Restaram poucos organismos e militantes independentes. A maioria trocou-se por cargos e salários e agora se sacrificam pela causa viajando com Roberto Requião ou exercitando a dialética com Orlando Pessuti e Rafael Iatauro.

Há problemas de identidade que atormentam algumas almas que praticaram esse escambo da consciência pelo conforto de pertencer a nomenclatura, ficaram evidentes nas entrevistas.

Mas para tudo há remédio. Os integrantes da nova “esquerda” funcionária procuram resolver esse problema atribuindo a Requião o papel de Grande Sacerdote bolivariano no Paraná, o que às vezes assusta alguns burguesotes e motoristas de praça que não compreendem as idéias nacionalistas esclerosadas e esclerosantes e planos estatizantes dignos dos tecnocratas de Ernesto Geisel.

Um politicólogo rigoroso não deixou de ver em Requião a reedição do populismo de Jânio Quadros de 40 anos atrás. A retórica do moralismo chinfrim temperada com homenagens a Che Guevara e insultos aos adversários para distrair o público de suas incapacidades administrativas. A esquerda funcionária não vê assim. Tem preocupações que são de outra catadura e terminam no holerite do final do mês.


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