Caso de polícia | Fábio Campana

Caso de polícia

O Brasil vem reduzindo, desde 2003, a taxa de homicídios, um indicador que renova esperanças de que o país, afinal, se aproxima da contemporaneidade do mundo.

O índice nacional de homicídios era de 42,4% em 2003 e caiu para 35,3 em 2006. Mas aqui, no Paraná, a tendência se inverte. A taxa de homicídios por arma de fogo cresceu 11% de 2003 a 2006 no Estado. O levantamento é do Ministério da Saúde.

No Paraná governador por Roberto Requião o número de assassinatos passou de 36,1 a cada cem mil habitantes em 2003 para 40,1 em 2006. A tendência é de crescimento do número de homicídios em todo o Estado.

Preocupante? Especialistas do Ministério da Saúde justificam o crescimento do número de assassinatos no Paraná como decorrência da expansão do crime organizado no Estado. O Paraná – até as montarias de Requião sabem – se transformou em rota importante do tráfico de drogas e do contrabando.

Isso não é tudo. Dizem os mesmos especialistas que o aperto do policiamento em São Paulo e no Rio está encaminhando bandidos de porte que se instalam aqui, no Paraná, onde o policiamento seria mais frouxo e permissivo.

Estes fatores aliados a expansão de massas carentes e não incluídas no entorno de Curitiba, nas periferias das grandes cidades e especialmente na fronteira, em Foz do Iguaçu, criam um ambiente de violência que ainda não conhecíamos.

Os casos de crimes hediondos como o de Ana Claudia Caron e de Bruno Coelho, jovens de classe média barbarizados e assassinados, são apenas momentos de um processo mais amplo, mais profundo, que transforma a sociedade paranaense em uma das mais violentas do país. Sem que as autoridades percebam, sem que os cidadãos queiram perceber.


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