Bolo embatumado | Fábio Campana

Bolo embatumado

Há mais de duas décadas, desde o aparecimento de Requião no cenário político paranaense, aqueles que nele votaram aguardavam o nascimento de um forte e inteligente partido de esquerda, capaz de cumprir por aqui o mesmo papel que forças de esquerda desempenharam em outras áreas do planeta.

A ilusão se assentava na observação de administrações álacres e corretas de prefeituras e estados entregues a coligações de esquerda nas últimas décadas que contribuíram para o progresso político, econômico e social de países como a Itália.

Passado todo esse tempo e resta apenas enorme decepção. O governo de Requião se autoclassifica à esquerda, mas em muitos aspectos se parece com os piores exemplos de governos populistas da extrema direita. A começar pelo autoritarismo de um sistema que se baseia em personalismo doentio.

Outra característica do atual governo Requião tem sido a reprovação diária no teste de probidade. Resvala em escândalos de corrupção e na evidência da incompetência administrativa. Esse bolo embatumado vem coberto com o glacê ideológico do discurso nacionalista e estatizante mais o morango do esforço em favor dos oprimidos.

Ora, pois, as ideologias não existem para o prazer de alguns intelectuais ou o encantamento místico dos fanáticos do Apocalipse. Elas informam a linha partidária até o momento em que convém renova-las.

A consciência proletária não é o destino do trabalhador, a miséria e a opressão não são a condição definitiva da maioria, embora essa seja a condição necessária para reproduzir no poder governos populistas, atrasados e que fazem um gasto discurso de esquerda à moda do Chávez da Venezuela. Quanta indigência, diria o Luís Roberto Soares.


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