Bala na agulha | Fábio Campana

Bala na agulha

Há quem pergunte aos seus botões porque os humilhados e ofendidos no círculo do poder nativo engolem ofensas públicas com tamanha facilidade e desfaçatez.

Dizem os observadores mais atentos que os submetidos ao opróbrio pelo governador Roberto Requião, tal qual aconteceu com o secretário Airton Pisseti na última sessão da escolinha, preferem permanecer no cargo e beneficiar-se do que ele oferece ainda que o preço seja o da execração pública.

Requião elogiou o trabalho e os preços do produtor Manaoos por um VT documental do grupo Fera, feito a pedido do secretário e irmão caçula Maurício Requião. Já seria suficiente para que os responsáveis pela área da comunicação se sentissem questionados. Os gajos da comunicação fizeram cara de esfinge e o pior veio a seguir.

Requião mandou Pisseti ficar de pé perante a platéia e aplicou-lhe um tremendo puxão de orelha ao deixar claro que duvida da honestidade dos preços pagos pela Secretaria de Comunicação.

Qualquer representante da espécie humana teria reação à altura. Mas Pisseti não se deu por achado. Nem corou. Devidamente regado, abriu um esgar de assentimento e voltou ao seu lugar, ao som das palminhas da platéia amestrada.

Os secretários mais novos, desacostumados com cenas desagradáveis do tipo, ficaram perplexos. Imediatamente perceberam que correm o risco de um dia desses sofrer o mesmo vexame.

Fica a pergunta: por que Requião não demite quem ele execra? A resposta, segundo um assessor de alto coturno, é simples. Tanto Pisseti quanto outros têm bala na agulha, ou seja, se defenestrados podem dar com a língua nos dentes. Requião se satisfaz com o ato de humilhação e o humilhado aceita porque, apesar do vexame, é vantajoso continuar no cargo. Belo governo, não é mesmo?


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