Algo de podre | Fábio Campana

Algo de podre

Sandra Berenice Ferrari Turra ameaçou deixar a diretoria Administrativo-Financeira da Ceasa e deu origem a nova crise que lança o governo de cabeça em antigo lodaçal.

La Turra é mulher de brios. Pouco afeita aos simulacros do arsenal dos políticos. Ela assumiu o cargo na Ceasa para pôr a casa em ordem. Herdou problemas cabeludos da administração anterior, que levaram à demissão da diretora Jane Setenareski e sua troupe, grupo indicado e apoiado pelo vice Orlando Pessuti.

La Turra encontrou de tudo: desvios, caixa dois, compras superfaturadas, pressão sobre os pequenos produtores para rebaixar-lhes os preços e coisas tais que envergonhariam qualquer governo. Tudo consta de cinco volumes de um relatório feito pela Ouvidoria e que estão em mãos do promotor Wilde Soares Pugliese para instrução de processo criminal.

Depois de sete meses de trabalho na Ceasa para desmontar os antigos esquemas e reprimir vícios administrativos de longa data, Sandra Turra decidiu se demitir porque não conseguiu mudar nada.

Tudo continua como dantes e como La Turra não quer ser conivente com os desmandos, resolveu pôr o dedo na ferida e mostrar que há muito de podre nesse reino governado por Roberto Requião.

Seu gesto provocou preocupações na alta cúpula do governo. Veio a operação abafa e a promessa do governador a Sandra Turra de que tudo será passado a limpo, inclusive o programa do leite, que seu marido, o advogado Luiz Henrique Bona Turra, denunciou e que lhe custou a carreira de procurador.

La Turra foi militante de esquerda, presidiu o DCE da Católica, verberou contra o regime fardado nas ruas de Curitiba. Tem cara, coragem e caráter. Qualidades que nem sempre sintonizam com o governo. 


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