Ou fala, ou dança | Fábio Campana

Ou fala, ou dança

Vem aí a TV Assembléia. A produtora grava os últimos depoimentos sobre cada um dos deputados e prepara os programas da primeira semana no ar.

Na faixa das tvs públicas vai concorrer com a TV Educativa que a maioria chama de TV do Requião, tal o uso intensivo que o governador faz da emissora como instrumento pessoal de propaganda e contrapropaganda.

A nova TV não corre o risco de chafurdar no mesmo lamaçal de equívocos. Será plural, orientada para divulgar os atos dos deputados, qualquer que seja o partido, garante o presidente Nelson Justus.

Vai aumentar a exposição dos políticos. Os interessados, incluídos cronistas da política, poderão acompanhar o cotidiano da assembléia pela telinha. Há quem acredite que vai mudar o comportamento dos deputados estaduais, que passarão a cuidar mais da imagem e da linguagem. Alguns estão mergulhados em treinamentos para melhorar o desempenho na telinha.

Tomara que assim funcione. Nossos políticos são em geral pessoas mais cheias de palavras do que de idéias. Isso, em si mesmo, nada teria de extraordinário, se não fosse a característica essencial dos meios de comunicação que obrigam as pessoas a falarem, mesmo quando obviamente não têm o que dizer.

Basta ligar um aparelho de TV para perceber que um microfone, quando espetado diante do nariz de uma pessoa, é um maravilhoso instrumento capaz de esvaziar até mesmo cérebros vazios.

Para um político, calar-se seria a derrota. O importante é produzir palavras; é satisfazer o apetite do pequeno aparelho e encher o tempo e o espaço, antes que outro o faça. Políticos acreditam que ou falam ou perdem a vez. Espera-se que todos falem, mas antes de tudo que tenham o que dizer.


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