Fim de ciclo | Fábio Campana

Fim de ciclo

O ciclo Requião tem prazo para terminar. Em três anos e três meses, no máximo, o Duce entregará o cargo, isto se não se licenciar nove meses antes para se candidatar ao Senado.

O que virá depois? Uma coisa é certa. Ninguém ligado diretamente a Requião tem chances eleitorais mínimas de conquistar o governo.

As explicações para a escassez de líderes capacitados no grupo do Duce é simples. Requião impede qualquer um de sua turma se alçar acima da linha d’água. Tem horror de quem possa competir com ele em reconhecimento público. Quem ousou foi decapitado. O sistema, óbvio, leva a preservação dos medíocres.

Para manter absoluto controle sobre a horda, Requião elimina todas as mediações institucionais. Com ele no poder, partido, entidades, associações e a própria máquina devem estar sob seu comando pessoal e com absoluta submissão.

Requião só entregaria o poder a um dos irmãos, mas esbarra nos obstáculos jurídicos e na incapacidade dos moços para o sucesso nas urnas. E as pesquisas mostram que a grife está desgastada. Mais ainda do que na eleição anterior, quando Requião por muito pouco não foi apeado.

Sem outra, Requião e o PMDB buscam alianças para tentar sobreviver nas beiradas do próximo ciclo. O único que poderia sair candidato do grupo é o vice, Orlando Pessuti, desde sempre descartado e hostilizado pelo próprio Requião e pela esquerda funcionária, que acredita que seu papel primordial na história nativa é fazer coro ao chefe.

Resta ao Duce e a todos que ele agrega à sua volta encontrar uma saída segura. Para quem está na planície, três anos é tempo considerável. Para quem está no poder é tempo muito curto. Situação que pode estimular aventuras típicas de fim de ciclo.


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