Exercício de execração | Fábio Campana

Exercício de execração

Ontem, na escolinha, Requião deu mais uma demonstração de que pretende levar o Ministério Público à execração pela sociedade.

O Duce não se conteve. Denunciou salários, benesses e cortou a verba do Estado para o pagamento de pensões do Ministério Público. Sob os aplausos da tigrada, incluída a esquerda funcionária que bate palminhas como ninguém.

Fez mais. Usou o exemplo de um promotor para desancar a instituição. Onde pretende chegar Requião? Até a alimária do Cangüiri sabe que o Duce quer tirar do Ministério Público aquilo que é vital para as suas funções: credibilidade. Em nome de um moralismo chinfrim, Requião quer arrasar a instituição. Nada original.

Nenhum governante com ânimo cesarista gosta de ter o Ministério Público na sua cola. Ainda mais quando é questionado pelos excessos e desvios cometidos em seu governo. Talvez isso explique essa guerra total do Duce contra o MP.

Ninguém é contra investigações e correções de desvios administrativos. Ao contrário, é o que se espera de qualquer governante e muito mais do Ministério Público, que Requião procura nocautear.

Talvez seja hora do Duce olhar um tanto para seu próprio governo e em vez de execrar o Ministério Público exigir que ele atue e passe a limpo toda a história dos desvios da Ceasa, por exemplo. Ou dos aditivos contratuais na Sanepar. Que tal uma olhada do Ministério Público no caso dos planos diretores? E a compra de remédios?

Em vez de irar-se contra o promotor de Ponta Grossa, que tal pedir a ele que investigue como andam as obras da área da saúde no município? Enfim, o MP teria tanto trabalho, sem contar tudo o mais que ainda se esconde por trás do véu da burocracia e que dia desses vem à tona.


Um comentário

  1. jango
    quarta-feira, 26 de setembro de 2007 – 9:02 hs

    O Parquet está pagando o preço da condescendência com todos os desmandos denunciados pela mídia na gestão governamental em curso. É lamentável. Mas, com um promotor, uma máquina de escrever (nem computador precisa) e a lei de improbidade administrativa do lado passar-se-ia a limpo todas as mazelas denunciadas (desvios da Ceasa, aditivos da Sanepar, etc.), sem falar no passivo milhionário do pedágio, com centenas de ações judiciais perdidas pelo Estado, a serem mais dia menos dia arcadas pelo erário público, vale dizer, pela sociedade que paga o Parquet. Ou fica com a coragem que exige o munus público diante do poder ou fica com as prerrogativas, régios salários e leis à beira da extinção por falta de uso no Estado. Não há meio termo, Parquet.

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