Dragão da maldade | Fábio Campana

Dragão da maldade

Requião encontrou, enfim, seu novo dragão da maldade. É o Ministério Público, que por razões óbvias do ofício da corporação e de alguns excessos cometidos em passado recente não ganha concurso de simpatia.

Motivado pela necessidade de vendeta contra o MP que ousou questionar os excessos de sua governança, inclusive na contratação de parentes, Requião decidiu enquadrar procuradores, promotores e até mesmo os funcionários da corporação. Mexeu justo na parte mais sensível do corpo de cada qual, o bolso.

Ontem, determinou que se encaminhe a Assembléia projeto de Lei que retira todos os privilégios de autoconcessão de salários, benesses e prebendas do Ministério Público. E estabeleceu humilhante termo de ajuste de comportamento que obriga os membros do MP a devolverem o que receberam a mais.

O estranho em tudo isso é que o governador Requião precisou de quase cinco anos para perceber que havia algo de podre no reino do MP.. É muito tempo e permite pensar que houve conivência. de todos aqueles que permitiram o vício, inclusive o governador.

Lento, o homem, ou ele só resolveu agir em favor do interesse público quando lhe apertaram os calos do nepotismo? O importante é que esses confrontos acabam abrindo caixas pretas que escondiam irregularidades do gênero.

Outras são claras e nem por isso o Ministério Público age como deveria, o que faz com que perca muito de sua autoridade. Entre elas, o uso abominável que o governador faz da TV estatal, para agredir seus desafetos.

Ontem foi o próprio Ministério Público a vítima do show das terças, em que o governador vira animador de auditório, desanca os desafetos e se compraz ao exigir palminhas das almas parvas da platéia.


2 comentários

  1. antonio moura
    quarta-feira, 19 de setembro de 2007 – 10:28 hs

    Muito interessante estas investidas do Governador Requião contra o Ministério Público, valendo-se de interposta pessoa, de passado nada recomendável. Quem conhece as andanças desse Francisco Alpendre, hoje Diretor Jurídico da Paranaprevidência, outrora carrasco do próprio Governador, quando era advogado do “Sindicato dos Bingos”, fica a imaginar que tipo de acordo foi celebrado para que se transformasse em interlocutor do Palácio.
    Curiosidades a parte, certo está que o Governador Requião consegue, como ninguém, desviar o foco das atenções. Basta lembrar do pedágio, do caso “Razera”, e outros.
    Premido pelo MP a acabar com o nepotismo escancarado em seu governo, Requião voltou toda sua ira contra as aposentadorias dos Promotores e Procuradores do MP.
    Interessante lembrar que Francisco Alpendre, funcionário em comissão da ParanaPrevidência, onde recebe salário superior a R$ 11.000,00, não poupa nem a própria Instituição que paga o seu pão de cada dia.
    Ao apontar irregularidades nas aposentadorias do MP, diga-se, até agora não provadas, Alpendre investiu duro contra a própria ParanaPrevidência pois, estas aposentadorias passam pelo crivo de seus funcionários e são pagas pelo prório MP, que hoje contribui para o Fundo Previdenciário com mais de hum milhão de reais por mês e gasta pouco acima duzentos mil reais.
    Alpendre não poupou nem o Conselho de Administração, que, segundo o Estatuto, sequer analisa tais concessões.
    A coisa anda feia lá pela ParanaPrevidência e todos esperam que seu Diretor Presidente, José Maria Correia, que já retornou das férias, faça alguma declaração, agora em nome da Instituição que preside.
    Vamos aguardar a Reunião do Conselho, já marcada para o dia 28 de setembro.
    Alpendre pode se dar mal pois não é o porta-voz da Instituição.

  2. jango
    quarta-feira, 19 de setembro de 2007 – 16:23 hs

    O fato é que não temos o Santo Guerreiro que todos esperávamos do Ministério Público. O Parquet cheio de prerrogativas, poderes, leis e régios salários tem sido condescendente com a administração estadual, atuando nas periferias, contra Municipalidades de menor envergadura político-administrativa. O Parquet é instituição venerável e tem contingente decente e competente no Estado, mas o seu munus público implica enfrentar os poderosos e defender o interesse público e o erário que, no final, paga todas as contas públicas e não deve arcar com as ilícitas ou originárias de gestão temerária da coisa pública. A lei de improbidade administrativa está à beira da extinção por falta de uso no Paraná, inobstante o elenco de sérias denúncias noticiadas pela mídia: basta um promotor, um computador e a lei federal 8429/92 para começar uma faxina em regra na administração estadual, a custo zero para o povão do Paraná, cujo voto já está custando bilhões só com as ações perdidas contra o pedágio.

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