Visita da Pavibrás | Fábio Campana

Visita da Pavibrás

A vida tem dessas coisas. Acaba de sair cá da Travessa dos Editores um senhor que se apresentou como funcionário da Pavibrás, aquela empreitera que realiza obras de saneamento no litoral do Paraná. Veio atrás da Revista Idéias nº 68, que tem na capa o Sérgio Botto de Lacerda. Disse ele: “Pois é. Estamos atrás desse homem, queríamos retomar as obras de saneamento, mas o Botto diz uma coisa, o Xavier diz outra… É muita politicagem, sabe?”. Quem diria.

Abaixo trecho da entrevista concedida por Sérgio Botto da Lacerda:

Fábio Campana: Mas alguns problemas que o senhor procurava resolver, como os contratos da Pavibrás com a Sanepar, continuam. O senhor deseja fazer uma afirmação definitiva sobre o assunto?

Sérgio Botto de Lacerda: Faço sim uma colocação rápida e definitiva sobre este tema. Já fiz isso na Assembléia Legislativa neste mês. O que se passa neste contexto é, talvez, uma falta de compreensão por pessoas que não querem compreender. E, de outra forma, também se dá o seguinte: querem empurrar a pizza para o companheiro que está ao lado na mesa. Nem uma nem outra atitude me parecem adequadas. Na Assembléia Legislativa procurei esclarecer com toda transparência a verdade. Sem atacar ninguém. Naquele momento me deparei com deputados de oposição claramente despreparados. Eu disse, essencialmente, o seguinte: R$ 69 milhões foi o valor do contrato da Pavibrás com a Sanepar em 2001. Em 2006 surgiu um questionamento a respeito de um reajuste contratual. O reajuste foi relatado por Rogerio Distefano, ex-diretor jurídico da Sanepar, e por mim, na condição de presidente do conselho. Veja: R$ 69 milhões em 2001 e, então, R$ 113 em 2006. É evidente que se trata de algo extravagante. Mas se tem de considerar, em primeiro lugar, reajustes contratuais que são previstos, que são decorrentes de lei e que são índices fixados. A controvérsia está no reequilíbrio contratual, concedido pela diretoria por delegação, que o atual presidente do conselho, Pedro Henrique Xavier, e na época também presidente do conselho, outorgou à diretoria.

FC: Poderia falar mais sobre isso?

SBL: É preciso destacar um detalhe importante, que não é ataque pessoal, apenas uma constatação. Pedro Henrique Xavier é o advogado da empresa que ficou em segundo lugar nesta licitação. Ele, excelente profissional que é, buscava desde 2002 a anulação do contrato da Pavibrás com a Sanepar, porque o contrato seria inexeqüível, isto é, não poderia ser executado. Ora, se isso era uma convicção para ele, que assumiu a presidência do conselho de administração da Sanepar em 2003, ele mesmo deveria ter alertado a todos para o fato, uma vez que tinha o domínio das informações. Mas ele não fez isso. Agora, de nada adianta ficar empurrando a questão porque, afinal de contas, os fatos estão aí. Somente uma auditoria vai responder a pergunta que todos querem saber: “Por que R$ 69 milhões se transformaram em R$ 113 milhões?”. Até lá, tudo não passa de presunção e especulação.


Um comentário

  1. jango
    quinta-feira, 2 de agosto de 2007 – 16:29 hs

    Auditoria ? Contratada por quem ? Pelo governo ? O caso é de inquérito civil público, para apuração de improbridade administrativa. Mas onde estão as autoridades constituídas do Paraná ? Ministério Público. Assembléia Legislativa. Tribunal de Contas. Ninguém tem poder e prerrogativas para colocar esta questão a limpo para o povo do Paraná ? E ficam dando espaço na mídia para um desdizer o outro e nada acontece. Pelo amor de meus filhinhos, como chegamos a este estado de anomia! Conforme escreveu Gilberto Ramos, “Dahrendorf no seu antológico “A ordem e a lei”, conta o episódio da velhinha berlinense que foi assaltada pelo soldado russo que lhe surrupiou a bicicleta. Um segundo soldado, apiedando-se da velhinha, tenta consolá-la oferecendo-lhe seu cavalo em troca da bicicleta. Nem a velhinha nem o bom soldado se lembraram de recorrer às leis e às autoridades. Elas simplesmente não existiam em 1945. Não tenho dúvida de que o Brasil está às vésperas da anomia: Temos leis, mas não temos autoridade que as imponha.” É uma trista constatação. E estas ditas “autoridades constituídas” são as mais regiamente pagas com o dinheiro do povo, usurpando do poder porque não o exercem em prol do seu destinatário – o povo, a sociedade. CANSEI.

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