Perdemos o Coski | Fábio Campana

Perdemos o Coski

Ontem, estirado sobre o chão frio de uma agência bancária, o corpo de Luís Roberto Soares não respondeu às providências para manter-se vivo.

Perdemos o Coski. Já não o temos entre nós. Perdi a interlocução que muitas vezes varou a madrugada. Fará falta a inteligência, a memória de enciclopédia e a percepção aguda que desnudava a bufonaria dos poderosos nativos.

Luís Roberto foi o deputado mais brilhante e preparado que passou pela Assembléia. Foi líder do governo num período em que o governo não tinha maioria imposta. Orador brilhante. Temido. Dono das melhores frases sobre a política nesta área do planeta.

Luís Roberto Nogueira Soares interrompeu a carreira política. Era um solista que se recusou a fazer carreira solo e preferiu perder com o grupo, com a orquestra.

Foi secretário da Cultura quando ainda tínhamos cultura e uma secretaria digna do nome. As últimas grandes iniciativas da área foram de sua lavra. Entre elas, edições magníficas que recuperaram nossas artes plásticas em álbuns que não se fazem mais.

Depois de Luís Roberto Soares, a política cultural reduziu-se a populismo e besteirol. E ele teve de experimentar a travessia amarga de quem perdeu e não se entregou, nem jamais fez acordos que aviltassem suas concepções.

A simples existência de Luís Roberto Soares incomodou muita gente, porque a sua presença sempre lembrou à maioria, a mediocridade geral. Por essas e outras, Coski foi muitas vezes vítima da autofagia nativa.

Resta agora recolher seus escritos, seus ensaios e tratar de preservá-los para que os adventícios tenham ao menos uma oportunidade de conhecer o que perdemos, ontem, naquele frio chão de uma agência bancária.


Um comentário

  1. Cajucy Cajuman
    terça-feira, 7 de agosto de 2007 – 14:06 hs

    Sem dúvida, uma grande perda para os paranaenses. Principalmente para aqueles de boa intenção, que sabem reconhecer o valor de um homem pelos atos e sua coerência. Era também, Luiz Roberto, um leitor voraz, o que fazia a diferença entre os políticos da atualidade que, geralmente, são mais dados a bazófia. Descanse em paz!

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