Mordaças | Fábio Campana

Mordaças

O despacho do desembargador Rosene Pereira, ao determinar que o desgoverno de Requião responda aos pedidos de informação da Assembléia é histórico e reflete a situação que vivemos.

Diz ele “Negar aos cidadãos acesso aos documentos e informações — que são públicos! — é depor contra uma das pilastras mestras do Estado de Direito”. Diz com todas as letras que negar informações a deputados estaduais é incitar um golpe de estado.

Vejam bem que o desembargador fala no direito à informação dos cidadãos. E observem também que este governo não gosta de dar informações. Muito menos de ver as informações sobre seus desvios tornadas públicas.

Requião investe contra todas as instituições democráticas que exercem seu direito ou até obrigação de expressar sua opinião e de relatar os fatos. Daí essa cruzada contra o ministério público, contra áreas do Judiciário, contra deputados, contra tribunais e também contra a imprensa. Aliás, o esporte preferido de Requião et caterva, incluído aí o caçulão Maurício, é processar jornalistas sob a alegação de que exerce sua autoridade e defende o povo.

O que pesa mais, na elaboração desse peculiar conceito de autoridade que quer amordaçar todas as instituições democráticas que possam questioná-la, se o cinismo ou a covardia, se a hipocrisia ou a ignorância, não é simples discernir.

Convém anotar a possibilidade de que alguns setores da sociedade paranaense não estejam mesmo maduros para a contemporaneidade do mundo.

Vê-se pelo difuso contentamento que se espalha em rostos de burguesotes, remediados e da esquerda funcionária diante das arbitrariedades do Duce, o que deve ser muito preocupante para os esperançosos da democracia.


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