Lamentável | Fábio Campana

Lamentável

Ensinava Maquiavel que um governante pode perguntar-se se é melhor ser amado ou temido. Requião inventou a terza via: nem querido, nem reverenciado, mas eternamente lamentado.

Convenhamos, dirigir um Estado como o Paraná é tarefa que certamente não se pode comparar a de dirigir um automóvel. Se, no entanto, o Detran viesse a aplicar os seus testes psicotécnicos e toxicológicos, é provável que muitos dos membros do atual governo acabassem reprovados.

Mas isso é o de menos. Por certo o que ficará do governo Roberto Requião para a história do Paraná será a marca de seu estilo pessoal, que não admite, jamais, a possibilidade de ter cometido um erro, um equívoco, um desvio.

Ou seja, Requião acredita que ele e os seus têm a infalibilidade do Papa, o que o torna tão pouco razoável e suscetível a todos os equívocos.

Nessa linha de comportamento, Requião jamais poderá admitir que a imprensa divulgue qualquer coisa com a qual não concorde. Não é novidade sua. Esse tipo de atitude é comum nos raciocínios ditatoriais e estavam presente na maneira de governar de figuras como o Duce Mussolini.

O governador Requião pode até estar certo quando diz que a mídia é contra ele. Interessante seria perguntar, se isso fosse possível, por que ele acredita que a imprensa deveria ser a seu favor. Ou “neutra”, como sugerem os hidrófobos de sua assessoria.

Requião é mais claro sobre o assunto e faz lembrar o marechal Costa e Silva, que diante de uma crítica de jornal, azedou o humor. Um ministro ponderou que a crítica era construtiva. Costa e Silva, que formou seu caráter na Cavalaria, por onde também passou Requião, não teve dúvida. Disse que não queria crítica construtiva, queria elogio. É o que Requião quer: elogio. Lamentável.


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