Jogo bruto | Fábio Campana

Jogo bruto

Quer prova de que Requião perdeu as estribeiras? Observe as eleições da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), a ser realizada hoje. O inesperado embate entre o atual presidente, Rodrigo da Rocha Loures, e o seu vice, Alvaro Luiz Scheffer, dá dúzias de lições sobre o jogo bruto da política.

Dos 96 sindicatos que compõem a federação, 94 estão aptos a votar na escolha da diretoria. Vence o pleito quem obter mais votos, noves fora as abstenções. Se todos participarem, ganha quem possuir ao final da contagem pelo menos 48 votos.

A chapa de Loures mandou publicar anúncio em jornais da capital ostentando 50 assinaturas favoráveis. 48 + 2. Fim de conversa. Mas diz-se à boca pequena que o Palácio Iguaçu pos os agentes em campo. De telefone na mão, primeiro pediram votos para a chapa de oposição, do madeireiro Alvaro Scheffer. Depois, sabedores do insucesso, mudaram a estratégia. Os telefonemas pediam que os representantes sindicais não comparecessem. Deixassem de votar. Sai o tom cordial, entram em cena as ameaças.

Scheffer esteve na campanha de Osmar Dias. Participou do renhido pleito de 2006. Estava do outro lado da trincheira. Não foi ele quem mudou, é Requião o travestido.

A oposição diz que Loures centralizou a gestão da FIEP em torno de si, diminuindo a rede empresarial. A situação alega que Scheffer desconhece o dia a dia da federação. “De mil decisões, só participo de uma”, rebate Loures. Salve-se quem puder. No fim de semana choveu documento falso, vídeo constrangedor no YouTube, coisas de família.

Não importa o resultado. Quem perde é o Requião, que não mede as próprias limitações e quer calada qualquer oposição.


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