Cheque sem fundos | Fábio Campana

Cheque sem fundos

O governo Requião é muito criativo quando lhe convém. Conseguiu agora inventar o aumento salarial pré-datado que não pode ser pago.

Há outras comparações possíveis. A promessa de Requião e a aprovação do projeto de aumento na Assembléia valem tanto quanto um cheque sem fundos. Ou borrachudo, como é conhecido na praça.

Os funcionários públicos do Paraná começam a desconfiar de que são vítimas de uma farsa. Algo como o conto do vigário. Ou aquele do bilhete de loteria premiado.

Soltaram foguetes quando o governo mandou o projeto de aumentos por categoria para a Assembléia. Vibraram quando os deputados do governo aprovaram a mensagem. Foram ao festejo do primeiro de maio para aplaudir Requião.

Ora, pois, o créus estão agora com cara de otário. Ontem, o secretário do Planejamento, Ênio Verri, informou em nome do governador, que os funcionários podem esperar sentados. Este mês o aumento não sai. E provavelmente não sairá em setembro ou até o fim do ano.

Diz Requião que não há dinheiro para aumentar o salário dos funcionários. Conversa muito diferente dos anúncios ufanistas sobre o crescimento da economia e da arrecadação do Estado. É de se perguntar: em que momento Requião está dizendo a verdade?

Requião só deu aumento para os professores da rede de ensino médio. Explica-se. Estes são mais organizados e capazes de chegar à greve e àquelas incômodas manifestações na frente do Palácio.

Além do quê, Requião se preocupa muito com o irmão caçula, secretário de Educação que desde já é candidato a deputado federal, pois sem mandato a tigrada não quer ficar para enfrentar o futuro.

Algo é certo. A categoria que não mostrar força e capacidade de protesto, vai amargar a falta de aumento.


Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*