44. Jânio | Fábio Campana

44. Jânio

Sempre que eu indagava ao finado Jânio Quadros, numa entrevista encomendada ou num bate-papo informal (e isso aconteceu uma dezena de vezes), sobre os verdadeiros motivos de sua renúncia, ele bebia mais um gole do uísque, guardava teatralmente um ou dois minutos de silêncio e depois respondia, grave e fúnebre:

– A você, Joel, eu conto.

E lá vinha com uma história sempre diferente das anteriores.

Excerto do livro
Diário do último dinossauro, de Joel Silveira.


Um comentário

  1. José Antônio Rezzardi
    quinta-feira, 16 de agosto de 2007 – 15:14 hs

    Que bela tática de responder sem dizer nada, hein? Pelo menos não deixava o jornalista sem resposta, e o verniz do segredo revelado deixava o interlocutor comprometido com uma mentira que poderia ser verdade ou uma verdade que poderia ser mentira. É a arte política de desconversar conversando, aliás, hoje o campo tá minado de águias que aprenderam a voar alto com o velho vassoura. E há quem ache isso bonito, sapiente, culto… Pra mim é enrolação pura e simples. Xô, filhotes safados do JQ!!

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