21. Aurélio | Fábio Campana

21. Aurélio

A última vez que me encontrei com Aurélio Buarque de Holanda, uma das minhas primeiras amizades aqui no Rio, foi quando do vigésimo quinto aniversário de São Bernardo – de mestre Graciliano Ramos. Bebericávamos no bar do hotel, em Maceió, quando ele de repente me perguntou:

– Que tesouro você traz aí nessa sacola, que nunca se desfaz dela?

– É a minha caixa de pronto-socorro, para as emergências. Aqui dentro tem aspirina, sonrisal, pó de sulfa, band-aid, remédio para o fígado. E tem também o Pequeno Dicionário do Aurélio.

Num tom grave, Aurélio sentenciou:

– Trata-se de um cidadão realmente prevenido.

Excerto do livro Diário do último dinossauro, de Joel Silveira.


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