Quem engole essa? | Fábio Campana

Quem engole essa?

O deputado Elio Rusch não se convenceu. Nem mesmo depois da performance do secretário Heron Arzua on-tem pela manhã na Assembléia para convencer os deputados de que tudo está correto na prestação de contas do governo.

A dúvida de Rusch é razoável e certamente se reproduz na cabeça de todos os paranaenses. Afinal, não foi dissipada a incongruência da publicação de dois balanços sobre os gastos do governo no último quadri-mestre de 2006.

No primeiro balanço, o governo conseguiu supe-rávit de R$ 12 milhões ao lançar como dinheiro em caixa a restituição de multas que a Secretaria do Tesou-ro Nacional cobrou por falta de pagamentos dos títulos podres do Banestado No segundo, superávit de R$ 291 milhões. “Assim não dá pra acreditar”, fala um perplexo Rusch.

Que ginástica fizeram? Rusch ataca: “Créditos a receber não poderiam ser lançados como ativo disponí-vel”. E completa, carimbando: “Disseram que era líqui-do e certo. Que nada: nem sólido era e se esfarelou no ar”.

Ou seja, não há balanço confiável e tudo indica que teremos de engolir, goela abaixo, a versão que inte-ressa ao governo, até, porque, a oposição é frágil e su-jeita a chuvas e trovoadas. O que o governo não conse-gue evitar nesse episódio é a demonstração de que está empanturrando a gente de mentiras.

Nem por isso a turma do poder perde a pose. In-siste em dizer que tudo vai bem, no melhor dos mun-dos. Os que reclamam ou protestam, diz Requião, são os neuróticos ou mal-intencionados.

A turma do governador protesta, exige respeito, e argumenta que o Paraná de hoje é melhor que o do século passado porque mais cidadãos dispõem agora do conforto da geladeira ou da válvula hydra, como se ou-viu numa das sessões de besteirol promovidas as terças na escolinha.


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