Pedra no rim | Fábio Campana

Pedra no rim

Valdir Rossoni se transformou no deputado mais detestado pelo time governista. É mais incômodo para a tigrada palaciana que pedra no sapato. É pedra no rim da turma de Requião que não se cansa de tentar armar uma para derrubá-lo da liderança das oposições.

É óbvio que para isso o governo teria de contar com a ajuda de um ou dois da outra banda e não há dificuldades em encontrar quem se diga de oposição ao mesmo tempo em que roça o lombo na cerca do Canguiri. Que los hay, hay.

Uma tentativa de puxar o tapete do moço de Bituruna se deu agora, quando procuraram indispor Rossoni com a maioria dos deputados que sonhavam com a Previdência parlamentar.

Rossoni foi contra esse arranjo que institui previdência privada com aporte de dinheiro público. Chegou a argumentar que todo o esforço para conquistar esse tipo de aposentadoria dos deputados iria pelo ralo diante do questionamento da constitucionalidade do projeto no Judiciário.

Ora, pois, nove de cada dez deputados queriam a aposentadoria como o afogado quer a tábua de salvação e muita gente viu na atitude de Rossoni uma traição à corporação.

A verdade é que o governo queria ver todos os deputados, inclusive os de seu partido, enredados nessa teia e Rossoni não caiu nessa. Nem cairia, pois em situação alguma aprovaria o projeto.

A maioria dos deputados de oposição já confirmou a Rossoni seu apoio para que continue a articular as forças contra Requião na Assembléia. O governo, agora, terá que aguardar outra oportunidade.

Enquanto isso, a tigrada esperta ceva o pesqueiro da oposição. E é comovente ver o entusiasmo com que alguns se apressam para chegar perto do poder e colher algumas migalhas que sobram da mesa farta dos palacianos.


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