Passou batido | Fábio Campana

Passou batido

Tudo como dantes. O depoimento de Sérgio Botto de Lacerda não removeu nenhuma das dúvidas essenciais sobre o imbróglio da Sanepar.

O respeitável público continua querendo saber por que a empreiteira Pavibrás ganhou uma licitação no valor de R$ 69 milhões, recebeu R$ 113 através de aditivos ao contrato, ainda cobra outros R$ 40 milhões e não terminou a obra.

Prova contundente da desídia: depois de enormes investimentos do dinheiro do Paranasan, só 22% das casas do litoral paranaense são servidas pela rede de coleta e tratamento de esgoto.

A esperança, agora, é a de que o procurador Rogério Distéfano, que foi diretor jurídico da Sanepar, possa jogar luz nessa escuridão. O homem está preparado e já mostrou que tem coragem e munição para enfrentar a caterva de Requião.

Resta saber se a maioria governista na Assembléia permitirá a sua convocação depois do recesso. Há dúvidas e não são de somenos. A tigrada do governo tem tanto medo do depoimento de Distéfano que até levantou a possibilidade de pedir sua demissão da Procuradoria do Estado, como fez contra Luís Henrique Bonaturra, quando este denunciou desvios na Copel, na Sanepar e no programa do leite.

A paúra palaciana aumenta quando entra em pauta os gastos em publicidade da Sanepar. É um ai, Jesus.
 Botto de Lacerda talvez quisesse dizer mais e até aprofundasse suas acusações contra o atual presidente do conselho da Sanepar, Pedro Henrique Xavier. Mas as manobras e o regimento do parlamento impediram.

Espremido entre o pronunciamento do ministro da Agricultura e a homenagem ao bispo Ladislau Biernaski, o depoimento de Sérgio Botto de Lacerda, ontem, na Assembléia, serviu apenas para confirmar o que todos já sabiam: há algo de podre na Sanepar.


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