Lapsos de memória | Fábio Campana

Lapsos de memória

Há momentos em que Requião parece ter perdido a noção do tempo. Em certas ocasiões fala do governo anterior referindo-se ao de Jaime Lerner, de 1999 a 2002, a quem atribui todas as mazelas do mundo.

Em outras, Requião parece recobrar a memória e se refere ao governo anterior de maneira correta, ou seja, fala de seu próprio governo no mandato que foi de 2003 a 2006.

Preocupante, mas há coisas mais espantosas que esses lapsos de consciência. Requião só agora entendeu que os seus índices de prestígio e popularidade desceram ao nível mais baixo de toda a sua história.

Aos íntimos, o governador tem se declarado incompreendido e isolado. Sentimentos que não são incomuns em pessoas fatigadas, física ou psiquicamente.

Requião se diz estressado. Mesmo assim, não desiste de voltar à tona. Ontem, deixou a preguiça de lado e pegou a estrada em mais um esforço para recuperar a popularidade perdida. Desceu a serra, fez o seu show em Paranaguá. Reencenou a farsa do melhor porto do mundo e apresentou o mano Eduardo no papel de bom gestor.

Para dourar a pílula, levou o Pedro Brito, da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República, que rasgou elogios imediatamente registrados pelos comunicadores e pelo estado emocional do Duce. Foi às lágrimas.

Segundo ato. O périplo seguiu em direção ao norte. Visitou Jandaia e os grotões da região. Inaugurou escola para infantes, prometeu centro de convivência para o lazer dos idosos e abriu um centro comunitário de bombeiros.
Terminou o dia no oeste, em Cascavel, onde pernoitou acompanhado da comitiva, para esperar o ministro Paulo Bernardo e com ele armar o show desta sexta-feira na cidade onde mais perdeu pontos nas últimas pesquisas.


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