Embaçou | Fábio Campana

Embaçou

O aspecto mais negativo da política paranaense nestes anos de hegemonia de Requião, bem acima do debate medíocre, é a ausência quase que generalizada de transparência quando se trata das denúncias de corrupção.

Pasmem, senhores, falta nitidez, falta clareza e disposição de apurar. Na essência entra em jogo uma questão moral, tanto mais grave enquanto despercebida pela maioria.

Ora, pois, Requião et caterva, incluídos os hidrófobos, reagem aos escândalos de corrupção em várias áreas do governo com ares de quem foi caluniado. Se sentem amparados pelo sistema que cuida para que nada ultrapasse o primeiro estágio, o da denúncia.

Nenhuma investigação chega ao fim. O próprio governo registrou maracutaias no Ceasa, nos aditivos da Secretaria do Trabalho, nos contratos da Sanepar, na distribuição de verbas de propaganda, no uso de cartões corporativos, na compra de televisores pela Secretaria de Educação. Por aí vai. Nada, absolutamente nada, foi cabalmente explicado ao distinto público paranaense.

Poucos escapam do imenso e mal cheiroso imbróglio, se considerarmos que a conivência e a cumplicidade também caracterizam este governo que maquia o velho sem melhorá-lo na substância, embora insista em afirmar suas diferenças em relação à administração de Jaime Lerner.

No conjunto da peça, mais fácil de relevar é a responsabilidade do povo, aturdido e inerme, como sempre, enquanto não for capaz de entender, graças ao exemplo de seus líderes, a diferença entre pragmatismo e oportunismo.

Os seus líderes são, porém, estes que conhecemos. O resultado jamais justifica, em política e em tudo o mais, a incoerência, a mentira, o deslize moral. Se não aprendemos a respeito, vamos é estacionar na antiguidade.


2 comentários

  1. Cajucy Cajuman
    sábado, 21 de julho de 2007 – 12:59 hs

    Pois é meu caro jornalista, mas acontece que essa forma de governo se parece com o lulo-petismo, onde eles podem tudo e não precisam dar satisfações a sociedade e aos seus eleitores.
    Depois de eleitos, dane-se o povo. Esse é o novo estilo ‘bolivariano’ de fazer política, no melhor estilo Hugo Chávez: ganhar no grito!
    Viva a nova República, em que o
    social é massa de manobra para manter abusados senhores na condução “destepaís”. O Brasil está apresentando um retrocesso democrático galopante e muito preocupante. Só não vê quem não quer, ou, ainda, quem está na folha, recebendo o seu cala boca mensal…
    Abs

  2. jango
    sábado, 21 de julho de 2007 – 19:33 hs

    Faço coro ao Cajucy e solidarizo-me com a sua indignação. O povo inerme a aturdido é uma preocupação, sem reação a este estado de coisas estamos sendo coniventes com o mau governo da coisa pública. Mas, ainda mais preocupante é a inoperância do Ministério Público, do Tribunal de Contas e dos parlamentares. Afinal, são-lhes concedidas prerrogativas de controle e fiscalização da administração pública e nada, absolutamente nada é apurado. Sem falar no Judiciário, desaguadouro de todas as mazelas, lerdo, mudo, cego, defasado, incapaz de sua própria auto-análise, motivando que a OAB/Seccional Paraná lançe em agosto pesquisa para apurar onde estão os maiores entraves do Poder Judiciário no Estado, como se de suas entranhas nada pudessemos esperar. Evidente, há exceções, mas as atitudes exemplares não aparecem. Estamos muito mal, será que vai piorar ?

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