E agora, Requião? | Fábio Campana

E agora, Requião?

Lembrando Carlos Drummond de Andrade. E agora, Requião? O ataque acabou? A popularidade apagou? O povo sumiu? O poder esfriou? E agora, Requião? E agora, você? Você que é valente, que zomba dos outros, que não faz verso, só gosta de guerra, e agora, Requião?

Está sem poder? Mudou o discurso? Está sem caminho? Já não pode brigar? Já não pode gritar? Tudo esfriou? O grande dia não veio? A aclamação não veio? Nem o riso vem mais? Não veio utopia, e tudo acabou? Tudo fugiu? Tudo mofou? E agora, Requião?

E agora, Requião? Sua palavra, cadê? Seu instante de febre, sua gula e jejum, sua egoteca? Sim, sua egoteca? O que tem lá? Sua lavra de ouro, seu terno de vinho tinto, sua incoerência, seu ódio acabou? E agora, Requião?

Com a mão no cavalo, quer pular o mundo, mas parece que não existe mais mundo; quer vencer os fatos, e os fatos aí estão; quer viver o segundo mandato que mal começou e até parece estar acabando. E agora, Requião?

Se você gritasse (e você grita), se você voasse, se você vencesse no grito; talvez você dormisse, e não se cansasse. Você cansa? Você descansa Requião?

É, Requião. É que antes do meio do segundo mandato havia uma pedra, ou uma perda. Uma perda de popularidade. Tinha, teria e há uma perda de popularidade antes do meio do segundo mandato. Antes do meio do segundo mandato teria uma pedra. Ou uma perda. Uma perda de popularidade.

Nunca o povo do Paraná se esquecerá desse acontecimento nesta vida de retinas tão fatigadas. Ninguém se esquecerá, nem ano que vem, nem em 2010, que tinha uma pedra, tinha uma pedra, ou uma perda no meio do segundo mandato. No meio do segundo mandato tinha uma pedra. Ou uma perda. A perda definitiva de popularidade?


Um comentário

  1. Rodrigo
    segunda-feira, 9 de julho de 2007 – 10:29 hs

    Obrigado pelo belo texto. Quanta soberba sem ação efetiva em favor do povo. Quanta soberba desses governates enquanto crianças estão sem escola ou péssima escola, pais e mães sem trabalho e jovens na violencia.

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