Debaixo do pano | Fábio Campana

Debaixo do pano

Roberto Requião bateu, xingou, ameaçou, rogou pragas. Disse barbaridades dos adversários e de todos aqueles que ainda culpa pelo péssimo desempenho eleitoral que quase o levou a derrota no ano passado.

Ora, pois, agora e diante das circunstâncias, Requião decidiu encerrar o período de purgação de sua ira contra os políticos adversários. Em hora de caixa baixa e escândalos pipocando em todas as áreas do governo, é bom apascentar a moçada. O curioso é que a maioria dos adversários se deixou seduzir e passou a se comportar com enorme submissão.

O pretexto para tanto foi a cruzada para reaver as multas cobradas pelo Tesouro Nacional pelo não pagamento dos títulos podres que o Itaú herdou do Banestado. O assunto dependia e ainda depende da disposição política do governo federal, mas todos fizeram de conta que era preciso um esforço paranista para acabar com a dívida, os juros, as multas e tudo o mais.

Agora, todos os políticos desta praça aguardam o encaminhamento que continua nas mãos de Lula e do PT, mais precisamente do senador Aluízio Mercadante, que parece não ter pressa. Não fosse a insistência do deputado André Vargas, também do PT, o assunto ainda estaria encalacrado na Secretaria do Tesouro.

O episódio é emblemático. Requião amansou a tigrada. Só não submeteu a pequena oposição liderada pelo prefeito Beto Richa. Os demais afrouxaram o sutiã, como diz o observador deputado Jocelito Canto.

Fica a impressão de que temos artistas da política — queremos partir do pressuposto de que a política é uma arte — que, se não representam os nossos melhores anseios, ao menos exprimem a sua vigorosa vocação para o arranjo, o arreglo, o acerto por debaixo do pano. 


2 comentários

  1. fã clube do Lerner
    domingo, 15 de julho de 2007 – 21:04 hs

    Digite seu comentário aqui.
    Requião só trabalha para a família dele.

  2. RFC - Requião Fã Clube
    segunda-feira, 16 de julho de 2007 – 0:40 hs

    Horrivel essa sua deixa de Debaixo do Pano, principalmente porque fala da reconciliação dos homens públicos do Paraná pelo bem do Estado, como se isso fôsse cumplicidade criminal grupal, já que fala num abrangência geral, quando diz tigrada.
    Será que todos eles são subornáveis ?
    Ou quem precisa ser subornado para fazer o bem?
    O bem faz parte da lógica humana.
    O que estava acontecendo antes, aquela guerra irracional sem motivo é que não era normal e mais parecia
    afiançada por alguem.
    A Paz é bem vinda.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*