Caixa preta | Fábio Campana

Caixa preta

Tentaram marcar para hoje as audiências de Sergio Botto de Lacerda e de Rogério Distéfano na Assembléia Legislativa. Mas há grande chance de nova postergação.

Botto prefere audiência em separado para que não se transforme em acareação promovida pelos deputados. Distéfano pensa diferente. Quer audiência conjunta, para que todas as dúvidas e discrepâncias sejam resolvidas de uma vez.

Ora, pois, veremos. O certo é que o governo gostaria de adiar para o dia do julgamento final os depoimentos sobre o escândalo da Pavibrás, empresa que recebeu aditivos inexplicáveis da Sanepar e, pelo que consta, repetiu a dose em outros órgãos, como a Secretaria de Educação.

A verdade verdadeira é que o governo quer escapar dos questionamentos sobre desvios que marcaram a transição de mandatos. A caixa preta é guardada com imenso cuidado. O governo tornou-se um imenso negócio, que movimenta diariamente milhões de reais e que emprega milhares de pessoas apenas em seus escalões superiores.

Quantos diretores têm as grandes empresas estatais e as autarquias? Quantos consultores, técnicos e assessores de alto nível? 

A verdade é que as grandes empresas estatais, como a Sanepar, quando mal administradas (desde que com jeito), gastam mais, pagam mais prêmios, mais comissões e corretagens, fazem acertos e negócios mais vantajosos para os que negociam com elas.

Aí temos, pois, um Paraná gordo, oficial e oficioso, que explora o Paraná real, magro e sofrido, embora certamente ainda capaz e produtivo.

Administrar mal um desses mastodontes não é apenas uma tentação e uma tendência. É uma arte. E uma festa que gera denúncias que deixam o governador Requião de maus bofes. E o distinto público mais ainda.


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