Botto, o raro | Fábio Campana

Botto, o raro

Sérgio Botto de Lacerda, ex-procurador-geral do Estado, um dos homens mais próximos de Requião, não quer mais aparecer na mídia. Recentemente, eu o entrevistei, naquela que, segundo o próprio Botto, foi a sua última entrevista.

Botto, antes de mais nada, quis falar por que saiu do governo. Ele disse não agüentar mais os conflitos internos. Foi perseguido, sistematicamente, pelo secretário de segurança pública Luiz Fernando Delazari e pelo secretário de imprensa Benedito Pires. Botto chegou a dizer a Requião: “Ou você demite esses caras, ou saio eu do governo”.

Botto saiu. Há mais de quatro meses. E ainda é lembrado devido a sua competência e pela sua capacidade de desatar nós e resolver impasses. Uma vez ainda na PGE, tentava desatar o nós que envolve a Sanepar e a Pavibrás. Sobre esse assunto, ele pergunta: “Por que R$ 69 milhões se transformaram em R$ 113?”. Ele se refere ao contrato da Pavibrás, para executar obras de saneamento no litoral, contrato reajustado de 2001 para 2006.

Botto saiu e em seu lugar está Jozélia Broliani, de acordo com o próprio Botto, “uma pessoa da mais alta qualificação. Temo apenas pela saúde dela. Por que ela é técnica”. Botto está naturalmente se referindo ao ambiente interno do governo Requião. E isso foi assunto recorrente durante a conversa que tive com ele.

“Passei a ser agredido nos bastidores. Até por pessoas que não tiveram sequer a coragem de mostrar a cara. Isso cansa”, desabafou Botto. Agora, ele quer dar continuidade à sua carreira de advogado. Mas, apesar de tudo, mesmo fora do governo, segue a ser lembrado pelo seguinte detalhe: foi uma raridade, um profissional competente dentro do governo Requião.


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