A balada do louco | Fábio Campana

A balada do louco

 A história se repete como farsa, como tragédia ou como comédia? Depende. Depende do ponto de vista. Hoje, um recuo no tempo. Há muitos anos, o teólogo Erasmo de Rotterdam (1469-1536) escreveu um libelo chamado “Elogio da loucura”. É um texto em que a própria loucura fala. A loucura discursa. E tem muito a dizer.

Escutemos a Loucura: “Mas, dirão, os príncipes não gostam de ouvir a verdade e por isso evitam a companhia dos sábios, temendo encontrar alguns que ousem tomar a liberdade de lhes dizer coisas verdadeiras em vez de coisas agradáveis”.

Nunca o passado foi tão próximo da realidade. Os príncipes contemporâneos também não gostam da companhia de quem aponta para os problemas. Preferem os aduladores, aqueles que só elogiam e são incapazes de avisar que tem incêndio, mesmo que o Palácio esteja em chamas. “É só uma luzinha”, diriam os conselheiros Acácios deste presente. E eles são muitos. Se multiplicam por cissiparidade.

Um corte. Por acaso, sem querer, vamos pensar o que acontece no Estado do Paraná. Escândalos parecem ser a maior obra da atual administração estadual. Denúncias de irregularidades envolvem a Sanepar, a Ceasa, as Secretarias do Trabalho e de Obras, incluindo agora os dois balanços que o governo publicou para justificar os gastos do último quadrimestre de 2006.

E como o príncipe, o governador, reage? Ataca quem ousa apenas apontar para possíveis problemas. A imprensa, que ele enxovalha nas reuniões das terças, parece ser a culpada pela enxurrada de problemas. Culpada por quê? Pelo simples fato de divulgar, por dever de ofício, o que se passa?

É, a história se repete como comédia, tragédia ou farsa?

Escolha.

Por hora, é abrir as páginas do “Elogio da loucura” e deixar, ela, a Loucura, com as palavras. 


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