Tapinha não dói | Fábio Campana

Tapinha não dói

A “esquerda” de gabinete e cargo em comissão pede a expulsão de Reinhold Stephanes do PMDB alegando que ele é moço da direita.
Os squadristas propõem até umas tapinhas no traseiro do deputado, como sugeriu o secretário irmão, Maurício Requião.
Resta saber até que ponto o Stephanes Junior vai suportar a humilhação.

A salada ideológica nativa possibilita o mais variado gênero de equívocos, dos quais cuidam de tirar proveito os chefetes da política na província. Entre eles, os alegres rapazes que posam de revolucionários mas se comportam como autênticos fascistóides.

Não se trata, em todo caso, de cidadãos ingênuos. Ingênuo é quem supõem que esta confusão se desfaz de repente em uma terra cujas elites são conservadoras mesmo em segmentos que afirmam impetuosos propósitos progressistas ou, simplesmente, se pejam de declinar seu verdadeiro pensamento.

E temos até cidadãos de pensamento progressista que servem a interesses conservadores porque, na lida política, eles próprios usam argumentos e táticas próprias do autoritarismo, sem contar aqueles que propõem o impossível, como se não houvesse a salada e eles não estivessem misturados nela.

A salada, temperada pelo oportunismo e pela ignorância, é a nossa realidade. Há países em que ninguém se engana quanto ao fato de que a direita é conservadora enquanto a esquerda é reformista, ou é revolucionária.

São países que alcançaram um grau elevado de desenvolvimento. Com isso, a esquerda radical e o extremismo de direita perderam a vez. Ainda não chegamos lá e vamos levar tempo para chegar.
Assim, não haja espantos se a esquerda assume os métodos da direita e se o populismo ainda dá o ar de sua graça. Impressionante, até aqui, é o estômago de Stephanes.


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